quarta-feira, 17 de junho de 2026

SP: festival In-Edit estreia com mais de 50 documentários musicais

Exibições são gratuitas e há também transmissão online

por Sarah Quines - Repórter da Rádio Nacional

Começa nesta quarta-feira (17), em São Paulo, a 18ª edição do In-Edit Brasil, Festival Internacional do Documentário Musical, que exibe filmes sobre figuras e histórias da música nacional e internacional em várias salas de cinema da capital paulista.

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O evento, que se firmou como uma vitrine para a estreia de documentários musicais – são cerca de dez títulos inéditos nesta edição – apresenta o filme A Noite de Alaíde Costa, dirigido por Liliane Mutti, que mostra o racismo sofrido pela grande voz da bossa nova, ignorada por gravadoras e que foi excluída de uma histórica apresentação no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962. O documentário acompanha a cantora em 2023, aos quase 90 anos, quando enfim subiu àquele palco numa reparação histórica.


O festival reúne filmes não apenas sobre artistas, bandas e gêneros musicais, como também traz documentários sobre lugares icônicos para a música, como Canecão – Tantas Emoções, de Bruno Levinson, que resgata a história do famoso palco carioca inaugurado no final da década de 1960, e que recebeu grandes nomes da música brasileira.

O diretor do In-Edit Brasil, Marcelo Aliche, destaca a diversidade de ritmos e estilos da música brasileira presentes nos mais de duzentos documentários nacionais inscritos no festival:

“A gente fica muito contente, porque o Brasil tem uma cultura muito diversa, assim, de norte a sul, a gente tem muitas maneiras de se expressar do ponto de vista musical, cultural. E dentro dessa visão, a gente realmente conseguiu colocar desde o rock aqui até o Ary Barroso. Tem filme sobre punk rock, a gente tem filme sobre artistas incríveis, como Airto Moreira e Flora Purim, Alceu Valença, a Dona Onete e até o Ezequiel Neves, que não era músico, mas produtor, jornalista, enfim, e o Ricardo Amaral, o Rei da Noite. Tem uma série de assuntos muito diversos e que de alguma maneira dá uma pequena amostra dessa grande salada cultural chamada Brasil”.


Ainda entre os títulos nacionais, estão filmes que trazem veteranos da música no Brasil, como Universo Circular - Jocy de Oliveira, dirigido por Dácio Pinheiro, que narra a história de uma figura pioneira na música eletrônica no país e que rememora sua trajetória aos quase 90 anos. Outro destaque é Pontos de Força, de Vânia Lima, que acompanha o músico de mais de 80 anos, Mateus Aleluia – um dos fundadores do grupo Os Tincoãs - por lugares sagrados do candomblé em sua terra natal, a cidade de Cachoeira, na Bahia.

Além das sessões exibidas nas salas da Cinemateca, Cine Sesc, SP Cine Paulo Emílio, SP Cine Olido, Matilha Cultural, Cine Bijou e Patuá Discos, o festival chega com uma série de atividades paralelas, como feira de vinil na Cinemateca e apresentações de Alaíde Costa, Fernanda Abreu, Odair José e das bandas Inocentes e DZK em várias casas de show da cidade - uma oportunidade de o público ver de perto artistas retratados nos documentários. Marcelo Aliche explica que a programação paralela é criada a partir dos assuntos dos filmes.

“Eu sempre brinco que a nossa função é trazer a música para dentro do cinema. E aí esse ano aconteceu de a gente levar o cinema para as casas de música. E com isso eu fico muito contente, porque não só o show, mas também os bate-papos, as conversas, os encontros, os debates que vão acontecer na Matilha Cultural, enfim, todas essas atividades aumentam o conteúdo de cada um desses documentários e permite ao público ampliar ainda mais a visão de cada um desses filmes.”

Nesta edição, o In-Edit Brasil traz mais de 100 sessões com recursos de acessibilidade, como libras, legendas descritivas e audiodescrição. Além das sessões presenciais, quem não está em São Paulo pode conferir uma parte da programação de forma online pelas plataformas Itaú Cultural Play, Sesc em Casa e SP Cine Play.

O In-Edit segue até o dia 28 de junho e todas as sessões são gratuitas, basta retirar o ingresso uma hora antes. Mais detalhes do festival estão no site.


Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Morre aos 56 anos Marjane Satrapi, autora de Persépolis

Família divulgou nota informando que a artista “morreu de tristeza"


por Alex Rodrigues Repórter da Agência Brasil


A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos de idade, segundo informações divulgadas, nesta quinta-feira (3), pela agência de notícias France-Presse (AFP), e logo confirmadas por pessoas próximas e autoridades francesas.


Nascida em 1969, na cidade de Rasht, no Irã, Marjane se tornou mundialmente conhecida pelo sucesso de seu romance gráfico autobiográfico Persépolis, que ela escreveu e ilustrou. Lançada na França em 2000, a história narra como sua juventude em Teerã foi marcada pela revolução que, em 1979, transformou o Irã de uma monarquia autocrática em uma república islâmica teocrática, aprofundando as desigualdades de gênero.

Além de mais dois volumes com o mesmo título e críticas à teocracia iraniana, Marjane publicou outros romances gráficos com boa aceitação de público e de crítica. Bordados, Frango com Ameixas e Mulher, Vida, Liberdade, estão à venda no Brasil.

Em 2007, Marjane dirigiu a adaptação de Persépolis para o cinema, em parceria com Vincent Paronnaud. A animação francesa recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes e foi indicado ao prêmio de melhor filme de animação do Oscar, concedido a Ratatouille, do estúdio Pixar. Em 2024, o jornal The New York Times elegeu Persépolis como um dos 100 melhores livros já publicados no século 21.

Em 2025, como forma de denunciar o que considerava “uma atitude hipócrita da França em relação ao Irã”, Marjane recusou-se a receber a Legião de Honra, a mais alta ordem de mérito francesa.

Desgosto

Segundo veículos de imprensa franceses, incluindo a EuroNews, a família de Marjane divulgou uma nota informando que a artista “morreu de tristeza, pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”.

Produtor, ator e argumentista, Ripa morreu em 8 de abril de 2025. A dor pela perda está manifesta no perfil de Marjane no Instagram: as poucas interações públicas aludem à morte de Ripa. “Perdi o amor da minha vida”, escreveu a franco-iraniana.

Tristeza

Professor associado do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o psiquiatra Octávio Domont de Serpa Júnior destacou que, apesar de, popularmente, as pessoas se referirem à tristeza, o que pode levar à morte é a depressão, que pode ser tratada.


“A tristeza é um sentimento básico que todos experimentamos algumas vezes ao longo da vida. O problema é quando esta tristeza se aprofunda e se estende por um longo tempo, tornando-se uma depressão”, disse Domont à Agência Brasil.

De acordo com as notícias, Domont avalia que o processo de luto pelo companheiro, que Marjane parece ter vivenciado de forma “bastante complicada”, pode ter-lhe afetado a disposição de viver.

“Nestes casos, a depressão, a falta de perspectiva em relação ao futuro, vai, pouco a pouco, tirando o entusiasmo da pessoa pela vida e afetando a saúde física e mental, comprometendo o autocuidado. É muito mais por aí do que meramente pela tristeza, que não é um sentimento que resulte em um desfecho tão trágico quanto este”, acrescentou Domont.

Segundo o Ministério da Saúde, a depressão é um problema médico grave, principalmente quando não é tratado. Pode ser causado por questões genéticas, bioquímicas e/ou por eventos estressores.

Entre os sintomas mais comuns estão a sensação de tristeza, autodesvalorização e sentimento de culpa; falta de energia, preguiça ou cansaço excessivo, lentificação do pensamento, falta de concentração, queixas de falta de memória, de vontade e de iniciativa; redução do interesse sexual e mudanças de apetite. O diagnóstico, contudo, leva em consideração a persistência e a intensidade de tais sintomas e só pode ser feito por um médico especialista, responsável por prescrever os remédios e terapia adequada.

Bolsas

Em fevereiro deste ano, Marjane criou uma fundação para apoiar estudantes de cinema estrangeiros em Paris. A Fundação de Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi estava ligada à Academia de Belas Artes francesa, que, hoje, lamentou a morte da artista.


“Este é o desaparecimento de uma mulher admirável, luminosa, de absoluta integridade, cuja primeira intenção desde a sua eleição para a Academia de Belas Artes foi criar uma fundação para ajudar jovens cineastas”, afirmou o secretário perpétuo da academia, Laurent Petitgirard.



Fonte Agência Brasil