
Por qué?
Sinopse
Curta-metragem de animação sobre a violência contra a mulher.
Gênero Animação
Diretor Xavi Segura
Ano 2007
Duração 5'28''
Cor P&B
País Espanha

Agência Cubana de Notícias
Em total são 100 filmes de uns 20 países, que tem por característica básica a austeridade econômica e a ausência dos padrões do cinema comercial e globalizado. Segundo os dados fornecidos pelo comitê organizador, o número de participantes neste ano aumentou com relação ao anterior, o que mostra uma tendência de crescimento, graças aos valores que defende o certame fílmico.
Entre as principais categorias de competição estão a ficção em suas modalidades de curta, longa e média-metragem, documentários, roteiros, maquetas de projetos, obras experimentais e videoarte.
Fundado em 2001, o saldo destes anos foi frutífero, em opinião do presidente do festival, o realizador Humberto Solás, que o definiu como um “refúgio para os cineastas alternativos que emergem à margem dos grandes estudos com produções guiadas pela bússola da comercialização”.
“Conseguimos um espaço autônomo, comunitário, sustentado pela diversidade, aberto a todos os temas e com um requisito único: a ausência de concessões e a qualidade”, disse Solaz em recentes declarações à mídia.
Por sua vez, o filme da abertura Personal belongings, foi galardoado em Gibara em 2007 com o prêmio Swiss effects, consistente em seu “transfer” a negativo de 35 milímetros – requisito indispensável para sua projeção na tela grande e em circuitos e festivais internacionais.
Para Brugués foi o princípio de um caminho cujo primeiro resultado se concretizou no passado Festival do Novo Cinema Latino-americano de Havana, onde obteve o terceiro Coral à melhor ópera-prima.
Mas o Festival além de cinema e as artes audiovisuais, inclui, aliás, a música, a literatura e a pintura. No programa aparecem concertos e exposições com obras de destacadas figuras da ilha como Agustín Bejarano e Cosme Proenza.
Também há planejados espaços de reflexão e análise, de traçado de estratégias e redes que unam os cineastas que o apostam tudo ao cinema concebido como um risco e uma aventura artística. Um cinema edificado sobre orçamentos às vezes hilários, decidido a abrir-se passo ante a escalada das indústrias multinacionais, que combata a violência que impera e se torne em voz dos grupos sociais ignorados.
O Homem e sua Solidão. O que pode ser pior que ser só sem ao menos ter se optado por isso? Alie isto a uma longa jornada de trabalho monótono e repetitivo. Adicione muito tédio. Pronto. Um simples peixinho-dourado pode se tornar o seu melhor amigo. A produção francesa Le Poisson Rouge traz como protagonista um jovem e solitário operário que em meio ao marasmo diário encontra um inusitado amigo. O curta-metragem (court métrage para os franceses), dirigido por Guillaume Martial, pode ser encarado como uma reflexão aos tempos atuais onde o individualismo é cada vez mais estimulado pela ferocidade do capitalismo moderno. Este Homem solitário pode ser eu, pode ser você ou qualquer um que neste instante sai apressado do escritório rumo ao pet shop buscar seu cãozinho que estava na tosa ou no banho. Le Poisson Rouge (em tradução literal para o português é O Peixe Vermelho) pode ser conferido no reprodutor abaixo.
A versão eletrônica da publicação está disponível no site http://www.ctav.gov.br/. A edição impressa, com tiragem de mil exemplares, está sendo distribuída gratuitamente a instituições ligadas à área do audiovisual.
Existe alguma liberdade do lado de fora da janela? Qual a liberdade cerceada do lado de dentro desta janela que tanto se fala? Somos mais livres além da janela? Sueño de Mosk é uma animação cubana em 3d que traz uma instigante metáfora. Com história, animação e montagem de Bruno Rodriguez, o curta-metragem tem como protagonista uma mosquinha que faz esforço descomunal para atravessar a janela fechada. Assista Sueño de Mosk no reprodutor abaixo.
Vale lembrar que trabalhar demasiadamente faz mal à saúde. Associar falta de férias, tédio e solidão pode causar resultados desastrosos ao equilíbrio mental. Veja isso no premiado curta Manual para atropelar cachorro.
Pormenores - As Minúcias de um Relacionamento em Crise
Mais do que a história de um evento, o filme irlandês Garage, premiado em Cannes, conta a história de um homem só: trata-se de Josie, que trabalha no posto de gasolina de uma cidade minúscula, na Irlanda. Ele é um sujeito limítrofe, de pensamento e gestos lentos; e estranha incapacidade de enxergar maldade ou malícia no mundo em torno de si.![]() |
| UNDO. Animação polonesa traz a vida escrita num livro - Reprodução |
Em Vinil Verde, as fotografias que compõem o filme (ele é uma montagem de vários stills com alguns “movimentos de câmera” de edição dentro deles) remetem diretamente a um livro de contos infantil, tornando-se não só uma brincadeira com o formato texto em que o filme se baseia (um conto russo), mas beneficiando a própria estrutura de suspense contida na narrativa. O off puramente sarcástico, critica de forma sutil o comportamento da juventude atual. A falta de comunicação (tema recorrente nos curtas de Kleber) entre pais e filhos aqui é posto em questão, sendo que este discurso se esconde, mas não desaparece frente a figuras quase trash que, no escuro, causam bom e leve desconforto.
Em Eletrodoméstica o formato é a película. A partir de uma fotografia natural, serão os enquadramentos e a arte que falarão pelo filme. O sarcasmo aqui é mais presente do que nunca, e o plano deboche da rua repleta de UNOs nos localiza muito bem neste conjunto de classe média bem média mesmo. Um plano resume bem o que significa para mim o filme: fazendo uma rima visual (proposital ou não) com Kubrick, uma steady-cam acompanha um carrinho de controle remoto por alguns segundos, remetendo imediatamente a Danny pelos corredores do Hotel Overlook. É o jogo feito pelo filme entre moderno e antigo, necessário e desnecessário, lembrando-nos de como o prazer causado pela tecnologia - em certo caso literalmente (máquina de lavar) - nos leva a um estado de dependência entorpecente. É um filme de rimas visuais, com o externo e com o interno (explosão da pipoca e orgasmo).
Em Noite de Sexta, Manhã de Sábado, a comunicação é o foco principal. Aqui, o fator moderno se dá na mediação feita pelo celular. É uma história de amor, mas que não deixa de apresentar uma veia irônica no seu tratamento. No começo vemos uma conversa legendada entre pessoas que falam o mesmo idioma e o nosso (português). É Kleber brincando com a prolixidade das pessoas, aquele ‘barulho demais’ do mundo contemporâneo que nos transforma em seres cada vez mais contraditórios (onde foi parar o “falar menos para falar mais?”). Logo depois a conversa é em “língua padrão universal” e mediada. O idioma não é o principal de nenhum dos dois interlocutores e a distância é minimizada artificialmente por este aparelhinho chamado celular que carrega em si todo um significado contextual. O formato, ao que aparenta, é um digital bem surrado (não entro a fundo no assunto, pois, ao que parece, a exibição do filme em Tiradentes não foi fiel à qualidade de finalização) que traz algo de melancólico em cada plano. É tudo muito quadrado, seco, sem vida. Só encontramos vestígios de luz nos olhares dos personagens, que sofrem como todos nós a distância, mas criam para si um alívio artificial. É a onda que se propaga através do oceano e lembra que estamos todos tão perto e tão longe.
O premiadíssimo curta-metragem pernambucano Vinil Verde entra em cartaz aqui no OutroCine. Esta instigante fábula mostra a relação afetuosa entre mãe e filha, focando no conflito que surge ao se transgredir as regras. A transgressão, neste caso, vem acompanhada de curiosidade, prazer, medo, culpa e punição. Segundo o diretor Kleber Mendonça Filho, "Vinil Verde é uma história de amor, mas com elementos do cinema fantástico". Um dos aspectos mais interessantes deste filme é o fato de ele não ter sido filmado, mas, sim, fotografado. Mendonça Filho (co-roteirista, diretor, produtor e fotografo de Vinil Verde) fotografou com negativo 35mm still, montou no computador e posteriormente fez transfer para película. Quem ainda tiver as antigas vitrolinhas, lembre-se: Nunca, mas nunca mesmo, escute o vinil verde!