quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Humor Reflexivo no Curta Haircut

curta, short, corto, court, filme
THE HAIRCUT. Barbeiro ensina que cliente tem sempre a razão
Existem filmes que trazem conceitos mais profundos ou questionamentos que vão além do óbvio proposto. É o caso do curta-metragem The Haircut, dirigido por Carlo Ledesma, cineasta filipino radicado na Austrália. Em The Haircut logo fica explicito tratar-se de uma comédia, todos os ingredientes estão ali: uma situação inusitada onde os personagens e a trama conduzem a circunstâncias supostamente engraçadas. Um barbeiro, aparentemente desanimado, recebe a visita de um cliente com um perfil nada parecido com aqueles que costumam cortar os cabelos, e o mais hilariante vem com o pedido excêntrico que este faz ao barbeiro. O próprio Ledesma acredita que seu curta, fora avaliação superficial, "é um filme sobre vaidade, ilusão, e de como, às vezes, o cliente tem sempre razão". O premiadíssimo The Haircut tem destaque na bela fotografia e na excelente trilha sonora. Y.H. short film cortometraje corto

Sobre The Haircut
"The Haircut foi feito com algumas coisas em mente. Eu quis contar uma história de duas pessoas perdidas que encontram o consolo (embora momentaneamente) um no outro. O filme é basicamente sobre aqueles encontros casuais que temos com pessoas que encontramos e nunca mais vemos, porém, mesmo que num breve momento, elas fizeram algo por nós e nós por elas." Carlo Ledesma - roteirista, diretor e montador de The Haircut.

The Haircut


Sinopse
Um barbeiro dá as boas-vindas ao cliente mais excepcional. The Haircut é um filme sobre a tênue linha entre vaidade e desilusão, e como o cliente tem sempre razão.

Gênero Ficção
Diretor Carlo Ledesma
Elenco Dave Kirkham, Michael Karolyi, Geo Wyjanco
Ano 2006
Duração 6min
Cor Colorido
Bitola Super 16mm
País Austrália


Festivais
Canberra Short Film Festival, Director's Choice Screening, 2006
Sony Tropfest Best of The Rest, 2006
In The Bin Short Film Festival, 2006
Adelaide Short Film Festival, 2006
Communities For Communities Film Festival, 2006
Bondi Short Film Festival, 2006- Winner, Best Musical Score
In The Bin Touring Film Festival 2007
In The Realm Of The Senses 2007
Shorts Outback 2007
Dungog Film Festival 2007
Cannes Film Festival- Short Film Corner, 2007

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Comédia Japonesa

Há tempos que diversos filmes asiáticos estão separados para entrar aqui no OutroCine, porém, por conta de um perfeccionismo extremo deste que escreve, muitos acabam ficando momentaneamente de fora devido a dificuldade em se encontrar as informações pertinentes a tais produções. Não é nada fácil achar os dados de curtas japoneses, coreanos ou chineses, por exemplo, pois, a grande maioria, vem com informações escritas no idioma originário. É o caso do curta-metragem japonês chamado 踏切 (pois é, também não sei ler japonês!), que aqui ganhará o nome de Travessia Ferroviária, já que das traduções online disponíveis este foi o que pareceu mais pertinente. Ficarei devendo informações como elenco, ano de produção e bitola em que foi filmado (é muito provável que tenha sido gravado em vídeo), porque após revirar a internet centenas de vezes na ingrata missão de achar dados num idioma da qual não fui agraciado com o dom, nada foi encontrado. Travessia Ferroviária, uma comédia despretensiosa, até um tanto boba, é o primeiro filme dos Defrosters, que é uma espécie de clube, resultado da união de amigos atores, diretores e roteiristas que juntos formaram um grupo voltado para a criação audiovisual. 時計このショートフィルムの下 (assista o curta-metragem abaixo).
Yerko Herrera
Travessia Ferroviária (踏切)


Sinopse
Antes de atravessar uma linha ferroviária, um homem comete um pequeno equivoco que pode custar-lhe caro.

Gênero Ficção
Diretor Okuma Ichiro
Duração 4min
Cor Colorido
País Japão

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Curta Alemão - Contagem Regressiva com trechos de filmes

DECRESCENTE. Contagem regressiva em Counter
Uma idéia simples com uma execução muito complicada. Isso é o que deve ter enfrentado o alemão Volker Schreiner quando produziu o curta-metragem Counter. Seu trabalho foi, a partir do número 266, criar uma contagem regressiva usando algarismos recortados de trechos de filmes. Schreiner utilizou fragmentos de clássicos e filmes obscuros para a seqüência decrescente de números, através deste recurso consegue astutamente gerar um suspense que prende a atenção do espectador. Por certo o enorme esforço que teve na pesquisa, decupagem e edição deste curta, no mínimo, lhe dão crédito de grande montador. kurzfilm
Yerko Herrera

COUNTER (Clique aqui para assistir o filme) 


Caso 
falhe o reprodutor, assista aqui

Sinopse
Contagem regressiva de 266. Este curta-metragem usa trechos de filmes clássicos e obscuros para criar um suspense.

Gênero Ficção
Diretor Volker Schreiner
Ano 2004
Duração 6'30''
Cor 
Colorido / P&B
Bitola Betacam SP
País Alemanha

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Amor Samurai em Animação Francesa

A BORBOLETA. Japão feudal em Le Papillon
Honra, amor e vingança. Estes são temas recorrentes em filmes orientais. A animação Le Papillon trata justamente destes sentimentos, pois, apesar de ser uma produção francesa, é totalmente inspirada na cultura japonesa. O resultado deste curta-metragem é surpreendente. O desenho é todo baseado na época do Japão feudal, no tempo dos samurais. Neste ambiente se desenvolve uma história de amor que ultrapassa limites. Abaixo algumas opções para assistir Le Papillon. court metrage

Le Papillon



Le Papillon em arquivo .mov - 34,3 MB (necessário QuickTime)


Le Papillon em arquivo .wmv - 6,56 MB (necessário Windows Media Player)

ou na página oficial do diretor Antoine Antin (arquivos mov em diversas resoluções)

Sinopse
O amor pode transpassar a vida.

Gênero Animação
Diretor Antoine Antin / Jenny Rakotomamonjy
Ano 2002
Duração 3'30''
Cor Colorido
Bitola 35mm
País França

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Pequena Dança Intimista em Curta Indiano

As novas tecnologias estão democratizando a produção audiovisual. Isso, aliado as novas mídias, como a internet, permite que essas produções alcancem espectadores muito além de suas fronteiras. Um exemplo disso é o curta-metragem indiano Dancing Queen, captado através de um aparelho celular. A grana e os caros equipamentos de filmagem não se fazem necessários aqui, este curta é a prova de que pra se fazer um belo filme basta uma boa ideia. Dancing Queen foi dirigido por Sumit Roy, cineasta e roteirista independente radicado em Nova Deli, na Índia. Roy já teve filmes selecionados nos festivais de Cannes e Toronto. Y.H. short film

Dancing Queen


Sinopse
Um pequeno filme intimista sobre a alegria de dançar. Captado através de um telefone móvel.

Gênero Ficção
Diretor Sumit Roy
Elenco Meghna Mehta
Ano 2008
Duração 1'20''
Cor Colorido
Bitola Celular
País Índia

domingo, 6 de julho de 2008

Carta de Carlos Lamarca

Iara Iavelberg companheira de Carlos Lamarca assassinada pela DitaduraBaseado em uma carta do líder guerrilheiro Carlos Lamarca à sua companheira Iara Iavelberg, o curta-metragem Salvador 71 trata dos instantes finais de Iara que foi brutamente assassinada dias antes de Lamarca. Iara Iavelberg apareceu morta em circunstâncias não esclarecidas, em um apartamento em Salvador, na Bahia. A família dela, de origem judaica, tenta até hoje provar que ela não teria cometido suicídio, versão relatada pelas forças repressoras da época. Salvador 71 recebeu o prêmio de melhor direção no Festival de Brasília, em 1979.




Salvador 71


Sinopse
Abordagem poética e política sobre o líder guerrilheiro Carlos Lamarca, ex-capitão do Exército Brasileiro, na sua luta de resistência à ditadura militar, a partir de 1964.

Gênero Ficção
Diretor Nick Zarvos / Sindoval Aguiar
Elenco PII, Caruaru, Nick, Sindoval

Ano 1979
Duração 9min
Cor P&B
Bitola 35mm
País Brasil

sexta-feira, 4 de julho de 2008

O que é um Filme Livre

Entenda o que é um filme livre na visão de Christian Caselli. O transgressor Caselli é um dos caras mais talentosos da nova geração de cineastas brasileiros e um dos mais promissores do cinema independente nacional. Através da metalinguagem ele explica o que seria um filme livre.

Como é um Filme Livre


Sinopse
A descrição exata de como se fazer um filme que não dependa de qualquer prisão. Feito especialmente para a Mostra do Filme Livre (RJ).

Gênero Animação
Diretor Christian Caselli
Ano 2006
Duração 3'30''
Cor Colorido
País Brasil

domingo, 29 de junho de 2008

A Dor Cruel da Traição


Dizia um provérbio popular que "corno é igual a fusca, um dia todo mundo vai ter um". Pois é, talvez o ditado esteja defasado. Os fuscas já não estão mais aí, mas, o par de chifres... Ah, esses nunca foram tão atuais. Como é que é? Nunca teve!? Ou não sabe de tal ou ainda teu dia chegará. Daí ficará claro que o tal do corno não é só tema pra música brega.

PERFÍDIA.
Laia Masó com a dor da traição, em cena de Efímero_87
Em Efímero_87 a vil traição apunhá-la as costas da personagem. Num desabafo despudorado, ainda mais por se tratar de pensamentos, Laia Masó, que interpreta uma moça desestruturada emocionalmente após sofrer a infidelidade e abandono do namorado, narra sua dor que vai da melancolia à ira. Revoltada com sua desventura, Laia maldiz seus algozes, tudo e todos a sua volta, sem poupar a si mesma. Este é o clima deste curta-metragem rodado na Catalunha, entre os municípios de Sant Boi de Llobregat e Barcelona, na Espanha. Segundo seus produtores a rodagem foi "louca, divertida e dura", com gravações num cemitério, em trens e metrôs. Os populares nunca imaginaram do que se tratava, "não sabiam o que fazíamos com dois menus e uma pequena câmera", recordam os produtores.
Assista Efímiro_87 no player abaixo, após reflita: um relacionamento, por mais efêmero que seja, pode causar uma dor que insiste em perdurar.
Yerko Herrera
Efímero_87


Sinopse
Um dia te levantas e assimilas. Foste enganado, traído, mentiram pra ti, humilharam-te. E o mundo não deixa de girar por tua dor. Quando tudo isso ocorre, começas a deixar de ter medo e começas a tomar decisões. Através de uma rápida viagem exterior e interior, nossa protagonista nos conta as 24 horas de um dia em que deverá assimilar seu presente e seu futuro. Mesmo que tudo seja efêmero.


Gênero Ficção
Diretor Pere Koniec
Elenco Laia Masó
Ano 2006
Duração 10min
Cor P&B
Bitola Mini-DV
País Espanha

sexta-feira, 27 de junho de 2008

O Outro lado da história

Todos os dias a grande mídia conservadora de nosso país expõe suas verdades absolutas e incontestáveis. Exaltam sua imparcialidade e a busca dos fatos. Mentira! Mostram apenas um lado da moeda, justamente a moeda que engorda suas contas bancárias. Distorcem fatos, constroem verdades e manipulam opiniões. Reaja. Permita-se a liberdade de enxergar outras perspectivas, desprenda-se de preconceitos, busque novas fontes. O documentário Armas não atiram rosas apresenta o outro lado da história, justamente aquele que os grandes veículos de comunicação sonegam. O curta-metragem relata apenas um dos tantos massacres que passam impunes, ocultos pelos editoriais brasileiros, despercebidos e distantes do conforto de nossos lares.

Yerko Herrera

Armas não Atiram Rosas



Baixe o Armas não Atiram Rosas aqui (21,3 MB - arquivo do tipo FLV, recomendamos o Media Player Classic para reproduzi-lo)

Sinopse
Na madrugada de 9 de junho de 1997, pistoleiros atacaram o acampamento do Engenho Camarazal, na Zona da Mata Norte de Pernambuco, uma região dominada pela monocultura da cana.

Gênero Documentário
Diretor Maria Luísa Mendonça / Thalles Gomes
Ano 2007
Duração 14'30''
Cor Colorido
Bitola Vídeo
País Brasil



Poema recitado no filme:


Qual o caminho?
Zé Pinto

Pena que as armas não atiram rosas,
Assim, Eldorado seria um Jardim.
Pena que o aroma não era de flores,
Pois Camarazal não cheira a jasmim.
Carandiru chora prisões inclementes,
Candelária clama risos inocentes.
O vento percorre cidades e campos
E os pés imigrantes procuram seu canto
E um velho poeta falou a essa gente,
De portas na cara, de longas estradas,
De quem uma casa nem tem pra morar.
Justiça? Procuram,
Mas onde é que está?
Pois sempre escutam, do lado de lá,
Um riso satânico de quem não tem planos,
De por na cadeia quem manda matar.
Matar nosso corpo, matar o sorriso,
Matar o juízo de se libertar.
Mas qual o caminho? Me vi perguntar.
Que essa agonia não jogue semente,
Na encruzilhada do desanimar.
Mas numa canção juntar nossas mãos,
Pra juntos trilharmos a mesma estrada,
Plantando na marra uma poesia
Que nos leve um dia ao mundo dos livres.

sábado, 21 de junho de 2008

Unohdetut - Comovente Curta Finlândes

LEMBRANÇA. Cena de Unohdetut
Há Coisas que não podem ser esquecidas
O ano de 1918 foi um dos períodos mais conflituosos da história da Finlândia. Divergências ideológicas levaram o país a uma guerra civil. De um lado as forças vermelhas, de esquerda, do outro o exército branco, sustentáculo dos conservadores de direita. Ao final da guerra civil finlandesa, vencida pelos brancos, milhares de opositores foram executados. O tocante curta-metragem Unohdetut (batizado em inglês como The Forgotten), dirigido por Ville Asikainen, expõe um pouco dessa sangrenta época. Abaixo algumas opções para assistir o curta. Y.H.

Unohdetut


Caso o player não seja visualizado, talvez haja necessidade de atualizar o seu flash player

Ou assista Unohdetut em arquivo *WMV nas seguintes opções abaixo:
  • Baixa resolução (recomendado para conexões lentas)
  • Média resolução (boa qualidade, recomendado para o padrão de conexão banda larga no Brasil)
  • Alta resolução (excelente qualidade, no entanto, por ser um arquivo bem mais pesado, trava diversas vezes, necessita uma banda larga bem veloz)
Entretanto, se todas as alternativas de visualização do filme se mostrarem falhas, assista Unohdetut pelo YouTube aqui

Sinopse
Algumas coisas não devem ser esquecidas.

Gênero Ficção
Diretor Ville Asikainen
Elenco Olli Väisänen, Rhea Pölkki, Jere Susilehto, Jon Perttu
Ano 2007
Duração 4'36''
Cor Colorido
Bitola DVCPRO
País Finlândia


*WMV é um formato de arquivo de vídeo do Windows Media Player, da Microsoft, programa este disponível gratuitamente para download. No entanto, o OutroCine recomenda o Media Player Classic, que, além de ser programa de código aberto, gratuito, é muito menor que o programa da Microsoft. Também serve como player de DVD, suporta legendas AVI, formatos QuickTime, RealVideo, WMV, entre outros. Lyhytelokuva short film

Curta mostra Fragilidade e Força da Consciência Humana

A vida de uma pessoa fiel a sua religião pode ser atormentada por seus pecados e pelas tentações mundanas. É mais ou menos sobre isso que trata o filme britânico Behind Closed Dhur. No curta, um rapaz muçulmano pratica o Dhur, uma das cinco orações conduzidas por muçulmanos no início da tarde. Segundo o diretor Azi Rahman, que é de origem islâmica, a história foi inspirada num fato ocorrido com seu irmão mais novo. Assista Behind Closed Dhur no reprodutor abaixo. short film shortfilm curta-metragem curtametragem

Behind Closed Dhur


Sinopse
Durante a oração de um rapaz islâmico percebe-se a fragilidade e a força da consciência humana.

Gênero Ficção
Diretor Azi Rahman
Elenco Shaheen Rahman, Hamza Ahmed
Ano 2008
Duração 3'32''
Cor P&B
País Inglaterra

domingo, 15 de junho de 2008

As Conseqüências de uma Injeção em Pixilation Francês

Um paciente e seu psiquiatra. Loucura antes ou depois? Este é o tema do curta francês Piqûre. O filme é uma interessante animação Pixilation (confira a definição do termo ao final da postagem) produzida por Charlie Mars. Court Métrage

Sinopse
Um paciente entra em alucinógena viagem após a picada de um remédio intravenoso.

PIQÛRE



Gênero Animação
Diretor Charlie Mars
Elenco Yves-Marie Gillardeau, Rémi Fenta, Neige Cavalera, Gael Onno, Vanessa Ailleaume
Ano 2006
Duração 3'27''
Cor Colorido
País França



Pixilation é uma técnica de animação stop motion na qual atores vivos ou objetos reais são utilizados e captados quadro a quadro (como fotos), criando uma sequência de animação. Esta pode ser considerada uma das mais antigas técnicas de animação, utilizada pela primeira vez em 1911 no filme Jobard ne peut pas voir les femmes travailler pelo francês Émile Cohl. (Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Angústia de Amor não correspondido em Yo también te quiero

Luis (Miguel Rodarte) com o cão Whiskey em Yo también te quiero
Quem já não amou em silêncio e na ânsia da reciproca ouviu apenas um cruel e doloroso: Eu também gosto de ti, mas só como amigos. Esta ressalva é o que mais machuca. É neste universo que se encontra o sentimental Luis, no curta mexicano Yo también te quiero. Luis é apaixonado por sua bela amiga Tania e esmerasse pra que ela perceba e retribua este amor. No entanto, o máximo que ele consegue é ser o amigão da linda moça. A excelente interpretação de Miguel Rodarte, que vive Luis, é o ponto forte deste engraçado curta-metragem. A narração de Rodarte em tom confissional, que, por vezes, transforma o espectador em seu confidente, desvela as desventuras desta paixão não correspondida. Jack Zagha Kababie, além de diretor, é roteirista e montador do tragicômico Yo también te quiero, vencedor do Festival de Havana, entre outros. O filme está em espanhol e não possui legendas, porém a boa dicção de Rodarte facilita o entendimento daqueles que não dominam bem o idioma. Y.H. corto cortometraje

Yo También te Quiero


Sinopse
O pior que uma mulher pode te dizer é "gosto de ti, mas só como amigos".

Gênero Ficção
Diretor Jack Zagha Kababie
Elenco Miguel Rodarte, Adriana Louvier, Emilio Guerrero, Candela dos Santos, Lola
Ano 2005
Duração 10min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País México


Festivais
Ganhador Círculo Creativo, Melhor curta-metragem Festival de la Habana, Cuba
Seleção oficial Rotterdam 2006
Seleção oficial INPUT 2006
Ganhador de cinco Pantallas de Cristal (Melhor Direção, Melhor Produção, Melhor Ficção, Melhor Roteiro, Melhor Atuação)
Melhor curta-metragem Festival Acción en Movimiento

terça-feira, 10 de junho de 2008

O Coletor de Coração

curta, short film, corto
Insegurança, tristeza, solidão, amor platônico, desilusão. Um deprimido homem coleta corações alheios pra se sentir confiante e dar vida ao seu temeroso coração. A dramática animação The Heart Collector metaforiza sobre males que afligem a alma. O israelense Michael Fallik é o diretor, roteirista e animador deste curta-metragem produzido durante sua passagem pela Vancouver Film School. Como o filme foi totalmente idealizado por Fallik enquanto ainda era estudante de cinema no Canadá, consideraremos, para fins de classificação aqui no OutroCine, o país de origem do autor como sendo o país produtor de The Heart Collector. Esta animação "corta-pulso" pode ser assistida no reprodutor flash abaixo ou também em maior qualidade no arquivo mov a seguir. Y.H. short film

The Heart Collector



Ou veja The Heart Collector em maior resolução aqui - arquivo mov 35MB (necessário algum programa como Quicktime para ler este tipo de arquivo)


Sinopse
Um homem com um buraco no peito captura o coração dos amantes para que se tornem seu próprio coração.

Gênero Animação
Diretor Michael Fallik
Ano 2005
Duração 5'50''
Cor Colorido
País Israel



Obs. Caso haja problemas na reprodução do filme no reprodutor flash acima, talvez seja necessário atualizar o Flash Player de seu computador. Baixe a versão mais recente do Flash Player aqui.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Horror em Animação Argentina

Diversas escolas de cinema e a preservação de seu acervo fílmico podem ser alguns dos motivos apontados para que a Argentina seja disparado um dos melhores produtores de filmes da América Latina. A qualidade não se restringe somente aos longas-metragens, ela também está na diversificada produção curtametragista de nossos hermanos. Não à toa a Argentina possui grande número de saites dedicados exclusivamente a exibição online de curtas-metragens. A aptidão dos argentinos com o cinema também fica evidente quando se fala em animação. Um bom exemplo é El Espectro del Bosque, de Andrés Borghi. "El Espectro..." é uma eficaz animação de terror ganhadora dos prêmios de melhor curta de animação no Festival Latinoamericano de Cine y Video e no Festival de Cine de San Rafael, ambos de 2006. Este curta foi produzido pela Kamikaze, produtora de cinema independente especializada no gênero horror/fantástico e que já possui vários títulos disponíveis na rede.
Y.H. corto cortometraje animación película
El Espectro del Bosque


Sinopse
Um menino corre através do bosque fugindo de um espectro que o persegue.


Gênero Animação
Diretor Andrés Borghi
Ano 2005
Duração 2min
Cor P&B
Bitola DV
País Argentina

sábado, 17 de maio de 2008

Déjà Vu - Curta-Metragem Português de Terror

Uma música infantil entoada por uma criança num filme de terror é deveras apavorante. Acrescente a isto uma perseguição, dentro de uma floresta, aonde não se vê aquele que segue. Está pronto o susto. Óbvio que se o filme não for conduzido com maestria pelo diretor e se não tiver o ritmo certo, nada disso causará medo ao espectador. O curta-metragem português Déjà Vu, possui todos os ingredientes para uma boa película de horror. Realizado por Carlos Alberto Gomes, mesmo diretor do poético Morreste-me (assista Morreste-me aqui), este curta lusitano mostra a trajetória de uma moça que se exercita correndo dentro de um bosque, contudo, ela não imagina o que o destino lhe reserva. Com montagem frenética e narrativa fragmentada, Déjà Vu é exemplo da boa produção curtametragista de Portugal. Joana Rão, com quem Gomes dividiu a direção de Morreste-me, é a protagonista desta produção. Horror e suspense garantido. Y.H.

NOTA: Infelizmente, por opção própria, o realizador Carlos Alberto Gomes retirou o excelente Dejà Vu do Youtube. Até o momento não localizei cópia do curta em nenhum outro site de compartilhamento de vídeo. Perde o OutroCine, pois este foi um dos filmes do acervo mais comentados do blogue, e perde o espectador que prima por um bom curta-metragem de suspense.

Déjà Vu


Sinopse
Curta-metragem de terror/fantástico que questiona a existência de universos paralelos, relatividade do tempo, realidade/ilusão e multi-personalidade.
Letra da canção infantil trilha do curta-metragem Déjà Vu
Naquela linda manhã/ Estava a brincar no jardim/ A certa altura a mamã/ Chamou-me e disse-me assim/ Não andes sempre a correr/ Tropeças sem querer/ Cais ficas mal/ Eu respondi "pronto está bem" / Depressa porém, esqueci-me de tal/ Não me lembro depois como foi/ Escorreguei cai no chão/ No joelho eu fiz um dói-dói/ No nariz um arranhão/ Desde então eu fiz tudo o que a mamã me diz...

Gênero Ficção
Diretor Carlos Alberto Gomes
Elenco Joana Rão, Catarina Vieira, Miguel Vieira, Carmen Rão
Ano 2006
Duração 6'25''
Cor Colorido
Bitola Mini-DV
País Portugal

sábado, 10 de maio de 2008

Curta para o Dia das Mães

Filme propício para o Dia das Mães. Ensaio, curta de Marcio Salem, com Andréa Beltrão.

Sinopse
Uma história de amor e carinho entre mãe e filho. Tudo o que Marina quer é ouvir Bruno, seu filho de 9 anos, dizer que a ama. Tudo o que ele quer é conseguir dizer isso a ela. Na comemoração que a escola está preparando para o Dia das Mães, Bruno vai fazer de tudo para atender às expectativas da mãe. Só que seu discurso vai surpreender mais do que se esperava.

Ensaiocurtas-metragens assista

Gênero Ficção
Diretor Marcio Salem
Elenco Andréa Beltrão, Rafael Miguel, Roberta Rodriguez
Ano 2006
Duração 20min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil


Ficha Técnica
Produção Salem Produções Cinematográficas Fotografia Adrian Cooper Roteiro Marcio Salem Direção de Arte Guta Carvalho Figurino Shirly Cyrulin Goldman Direção de produção Cristiane Silva Assistente de Direção Joana Cooper, Joyce Abram Produção Executiva Matias Mariani Montagem Christian Grisnstein Música André Moraes

sábado, 3 de maio de 2008

Nollywood e o novo modo de fazer Cinema

Na coluna Cineclubismo, escrita por Felipe Macedo, na versão eletrônica do Le Monde Diplomatique, intitulada O modelo Nollywood — que está reproduzida abaixo — ele comenta sobre a fantástica revolução no modelo de produção e distribuição vinda do maior produtor de filmes do mundo, que, por incrível que pareça, não é os EUA, tampouco a Índia, mas sim, a Nigéria. Pra quem quiser saber um pouco mais sobre o cinema nigeriano, pode conferir o artigo Tudo o que você sempre quis saber sobre Nollywood, mas nunca teve a quem perguntar, publicado no saite Cultura Livre.


O modelo Nollywood
Desponta na Nigéria novo modo de fazer cinema. Milhões de DVDs, pequenas salas, alternativas à propriedade intelectual. Qualidade precária, porém crescente — e bebendo na imensa diversidade cultural do país. O maior produtor de filmes do mundo. Um modelo para não copiar mas, sim, para refletir


por Felipe Macedo

Em
texto anterior, descrevemos as características gerais do modelo de cinema que vigora no Brasil. Na verdade, é o mesmo que prevalece no mundo inteiro, já que as grandes empresas de Hollywood, através da sua associação, a Motion Pictures Association of America (MPAA), operam em escala planetária e organizam o mercado mundial em função de seu produto. Mais de 80% dos cinemas de todo o mundo estão ocupados com os filmes dessas empresas. Parece que, entre os mais de duzentos países do mundo, apenas em uma meia dúzia exibe-se mais filmes nacionais que os distribuídos por esse cartel.

Esta situação é indispensável para o cinema que confundimos como "americano". O custo médio de uma produção, nos EUA — não em Hollywood, mas no país todo — já é de mais de 60 milhões de dólares. Esse padrão precisa de um mercado mundial bem controlado para obter lucros significativos. Se é verdade que esse cinema é dominante há décadas, apenas recentemente o faturamento dos filmes no exterior do país passou a ser maior que internamente. Hoje, a receita proveniente de outros países está em torno de 65% do total. Nessa mesma direção, a produção dos EUA tem diminuído significativamente, em favor das superproduções que melhor se adequam à exploração do mercado mundial e de seus diferentes segmentos: salas de cinema, vídeo doméstico, tevê por assinatura e tevê aberta. Especializa-se em filmes mais caros, que não têm concorrência, e são como naves-mães que desovam mil subprodutos e licenças de exploração de mercados subsidiários. Por outro lado, aumenta cada vez mais a reprodução de fórmulas narrativas simplistas, padronizadas, o que dificulta a expressão de diferentes formas de criação — inclusive naquele país.


Já dissemos que esse modelo é velho. Ele luta para assimilar, domesticar e rentabilizar, em novos formatos comerciais, os avanços tecnológicos que ocorrem fora do seu controle. Enquanto isso, atravanca o desenvolvimento das próprias inovações e, principalmente, limita o acesso à comunicação e impede a expressão da diversidade das culturas do mundo.

Mas até que ponto o poder econômico é capaz de segurar ou controlar o desenvolvimento de inovações que apontam para uma acessibilidade fora de qualquer controle, como é o caso da rede mundial de computadores? Ou quando outras formas de exploração comercial se mostram lucrativas, criando novos “modelos de negócio”? Como combater eficazmente a “pirataria” (a exploração comercial sem pagamento de licenças), se o móvel, a ética, a ontologia mesma do comércio se concentram e se esgotam na obtenção de lucro?


Hollywood, riquíssima, depende da globalização. Mas é Nollywood, hoje, quem expande seu jeito de produzir cinema pelo mundo

Um dos objetivos desta coluna é mostrar como os cineclubes, em suas múltiplas formas, constituem a grande alternativa — ainda muito virtual, mas a mais conseqüente — para esse novo modelo. No entanto, outras experiências também merecem ser melhor conhecidas. Um exemplo muito revelador de que outros paradigmas podem ter relações muito mais legítimas com a cultura em que se estabelecem, assim como alcançar resultados econômicos extraordinários, é o de Nollywood, o modelo de indústria audiovisual da Nigéria, que se expande cada vez mais pelos países vizinhos.

A Nigéria, país com cerca de 110 milhões de habitantes, independente desde 1963, tornou-se o maior produtor mundial de títulos de filmes. Com uma produção que oscila entre 1.000 e 1.500 filmes por ano, ultrapassa largamente a Índia, segundo lugar, com cerca de metade dessa produção, e os EUA, com perto de 500 títulos anuais.

Mas não apenas isso: diversas fontes situam o faturamento dessa indústria audiovisual nigeriana em cerca de 250 milhões de dólares por ano, o que também a coloca entre as maiores do mundo. Além de predominar largamente no mercado interno, a produção audiovisual nigeriana cada vez mais se estende pelos países vizinhos, antigas colônias inglesas. Chega igualmente às etnias que se estendem além das fronteiras: Gana, Quênia, Uganda, Gâmbia, Níger, Camarões, Benin, Zâmbia, Togo e mesmo o Sudão. Canais a cabo da África do Sul especializam-se ou dedicam boa parte da programação a essa produção, cobrindo vários outros territórios (Botsuana, Zimbábue, Suazilândia, Namíbia). E uma grande diáspora (7 milhões só de nigerianos) na Europa, EUA e em várias outras partes do mundo – inclusive no Brasil – também serve como elemento de repercussão e multiplicação desse cinema.

Como dissemos, não se trata do modelo hollywoodiano: os filmes são produzidos e circulam em cópias digitais (DVD) e são exibidos em pequenas salas digitais. O custo de uma produção é, em média, de 20 mil dólares. Com isso, diariamente, dois ou três novos títulos são lançados no mercado. Cada filme circula com cerca de 20 mil cópias, vendidas pelo equivalente a poucos dólares ou em salas bem simples, onde se paga ingressos de umas tantas nairas, a moeda nigeriana. Os maiores sucessos freqüentemente ultrapassam 200 mil cópias.



Filmes toscos na forma. Mas capazes de expressar o imaginário e magia da África, e as realidades da vida nigeriana

O “modelo nigeriano” demonstra possibilidades concretas e potencialidades que têm muita importância para os países que não conseguem construir uma indústria e uma cultura cinematográfica independente. Vale a pena conhecer sua gênese.

Em 1972, um decreto de “indigenização” passou para o controle nacional uma rede de cerca de 300 salas de cinema que havia no país. Uma permanente fragilidade econômica e a recorrente instabilidade política levaram à desagregação desse circuito. A diminuição do número de cinemas, a própria insegurança nas grandes cidades e a distância cultural da narrativa “ocidental” em relação à vivência cultural nativa — tudo isso contribuiu para enfraquecer o hábito de ir ao cinema. No entanto, a “nacionalização” ajudou a estimular os talentos nigerianos, principalmente da área teatral. Mais ou menos nos anos, 80 começou a produção sempre crescente de filmes em VHS, copiados e distribuídos precariamente nas feiras e outros eventos públicos e exibidos em salinhas improvisadas. Como a maior parte dos empreendimentos comerciais pioneiros, o padrão dessa produção era pobre, visando garantir um mínimo de rentabilidade. O resultado era medíocre, em termos narrativos. Ainda é ambas as coisas.

Mas, além de se adequar ao bolso da grande maioria, essa produção canhestra trazia a expressão do rico imaginário e das premências da vida nacional e africana: de um lado a magia e o sobrenatural, de outro as dificuldades da vida, a corrupção, as doenças endêmicas, o choque das tradições tribais com a modernidade. O modelo pegou.

Hoje, ainda cheio de carências, esse sistema audiovisual não pára de evoluir e de se consolidar. Criou, como vimos, uma sólida base econômica. Isso tem permitido, cada vez mais, a adoção de melhores técnicas e equipamentos na produção. A própria expansão da indústria, o enfrentamento de concorrentes, a interação com a diáspora, obrigam a um contínuo aperfeiçoamento em termos de linguagem e acabamento. A permanência dessa indústria gera profissionais, talentos em todos os níveis, e inclusive já tem uma espécie de star system e uma rede de eventos promocionais, festivais que ajudam a aprimorar seus produtos.



Na África francesa, filmes que se contam nos dedos, premiados. Na Nigéria, uma prosa nacional expressa, em muitos idiomas, o imaginário popular

No entanto, talvez o mais importante desse processo ainda em desenvolvimento seja o significado cultural da adoção de um modelo diferente daquele implantado pelo ocupante colonial. Em meio à mediocridade ainda prevalecente de uma narrativa banal, que busca o êxito e o retorno econômico mais imediato, uma “prosa” nacional se impõe, ou melhor, encontra espaço para se expressar, trazendo a vivência, os problemas, o imaginário popular.

Nas antigas colônias francesas, por exemplo, de uma maneira geral mantém-se inalterado o modelo de produção e distribuição em película. Os países não têm condição de manter esse modelo e o resultado é a produção de pouquíssimos títulos, na casa das unidades, realizados com apoio de algumas instituições francesas. Esteticamente são filmes muito mais significativos, que têm revelado alguns grandes realizadores. São reconhecidos em alguns eventos internacionais, talvez a maior parte fora da África. Esses filmes são, claro, falados em francês. Já a produção nigeriana produziu um fenômeno inédito e absolutamente fundamental: um percentual significativo dos filmes é realizado nos idiomas das diversas etnias da região, principalmente em iorubá, igbo, hauçá e no pidgin nigeriano.

Sem esse espaço, essa(s) cultura(s) não teria(m) oportunidade de se manifestar, talvez nem de sobreviver. Esboçado um novo paradigma, há muito ainda que avançar. Mas a alternativa já se mostrou viável, abrindo a possibilidade concreta de superação do modelo mundialmente dominante. É uma lição importante, não exatamente a ser copiada, mas sobretudo compreendida. Por aqui, por exemplo, onde a produção só existe com subsídio público, praticamente não é exibida e a população não tem acesso ao cinema.


Mais:

Felipe Macedo assina a coluna Cineclubismo no Caderno Brasil de Le Monde Diplomatique. Edição anterior da coluna:

A reinvenção do cinema e os jurássicos
A digitalização e a internet podem transformar todo o processo cinematográfico, democratizando a produção e multiplicando as platéias. Mas, agarrada a seu monopólio, a indústria do audiovisual quer manter as tecnologias superadas e a idéia de que arte é para quem pode pagar


Nós somos o público
A questão dos direitos do público tornou-se inadiável. As enormes transformações que estão ocorrendo nos meios de comunicação e circulação e intercâmbio da cultura exigem o estabelecimento de normas que nos garantam a condição de sujeitos — muito mais do que consumidores]


Fonte: LeMondeDiplomatique

A edição eletrônica de Le Monde Diplomatique é regida pelos princípios do conhecimento compartilhado (copyleft), que visam estimular a ampla circulação de idéias e produtos culturais. A leitura e reprodução dos textos é livre, no caso de publicações não-comerciais. A única exceção são os artigos da edição mensal mais recente, acessíveis no menu lateral esquerdo do site. A citação da fonte é bem-vinda. Mais informações sobre as licenças de conhecimento compartilhado podem ser obtidas na página brasileira da Creative Commons.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Violência contra a Mulher é tema de Animação

Imagem do curta (cortometraje) ¿Por qué?
Todos os dias centenas de mulheres sofrem em silêncio com a violência doméstica. Agredidas por maridos ou parceiros, a maioria dessas mulheres nem chegam a virar estatística, pois, por temor, não registram ocorrência na polícia. É sobre a violência contra a mulher que trata a dramática animação Por qué?, do espanhol Xavi Segura. Este triste curta-metragem é o primeiro realizado por Xavi, que nesta promissora estréia presta uma homenagem as mulheres dedicando-lhes o curta. E salve todas elas!

Por qué?


Sinopse
Curta-metragem de animação sobre a violência contra a mulher.

Gênero Animação
Diretor Xavi Segura
Ano 2007
Duração 5'28''
Cor P&B
País Espanha

sábado, 19 de abril de 2008

Documentário Terra de Índio

Dizimados pela cultura branca, aos Índios lhes foi relegado apenas um dia. Muito pouco para tudo que sofreram, pouquíssimo para estes que reinavam absoluto nestas terras, nada para o povo que sempre conviveu em harmonia com a natureza. "Todo o dia era dia de Índio", agora é apenas o dia 19 de abril. Lamentável. O documentário Terra de Índio, de Samanta Pamponet, registra as conseqüências da aculturação, a tentativa de resgate de identidade e a falta de terra da tribo Tupinambá de Olivença, na Bahia.

Terra de Índio


Sinopse
O documentário Terra de Índio, relata as dificuldades que os índios Tupinambás de Olivença sofrem pela falta do bem mais precioso para toda aldeia, a terra. Que hoje está sobre o domínio e poder dos fazendeiros e coronéis da região, que destroem a mata atlântica, privando o índio até mesmo de pescar e plantar para sua sobrevivência.



Gênero Documentário
Diretor Samanta Pamponet
Ano 2005
Duração 8'20''
Cor Colorido
País Brasil



Sugestão de outra postagem e filme com a temática
Todo dia é dia de Índio

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Festival Cubano de Cinema Pobre

Já abriu suas portas festival cubano de Cinema Pobre

Gibara, Cuba, 15 abr (acn) Com a exibição do filme Personal belongings (Efeitos pessoais), de Alejandro Brugués, prêmio de maqueta da edição anterior, começou nesta segunda-feira, o VI Festival Internacional de Cinema Pobre de Cuba, que tem por sede, a localidade oriental de Gibara.

Agência Cubana de Notícias

Em total são 100 filmes de uns 20 países, que tem por característica básica a austeridade econômica e a ausência dos padrões do cinema comercial e globalizado. Segundo os dados fornecidos pelo comitê organizador, o número de participantes neste ano aumentou com relação ao anterior, o que mostra uma tendência de crescimento, graças aos valores que defende o certame fílmico.

Entre as principais categorias de competição estão a ficção em suas modalidades de curta, longa e média-metragem, documentários, roteiros, maquetas de projetos, obras experimentais e videoarte.

Fundado em 2001, o saldo destes anos foi frutífero, em opinião do presidente do festival, o realizador Humberto Solás, que o definiu como um “refúgio para os cineastas alternativos que emergem à margem dos grandes estudos com produções guiadas pela bússola da comercialização”.

“Conseguimos um espaço autônomo, comunitário, sustentado pela diversidade, aberto a todos os temas e com um requisito único: a ausência de concessões e a qualidade”, disse Solaz em recentes declarações à mídia.

Por sua vez, o filme da abertura Personal belongings, foi galardoado em Gibara em 2007 com o prêmio Swiss effects, consistente em seu “transfer” a negativo de 35 milímetros – requisito indispensável para sua projeção na tela grande e em circuitos e festivais internacionais.

Para Brugués foi o princípio de um caminho cujo primeiro resultado se concretizou no passado Festival do Novo Cinema Latino-americano de Havana, onde obteve o terceiro Coral à melhor ópera-prima.

Mas o Festival além de cinema e as artes audiovisuais, inclui, aliás, a música, a literatura e a pintura. No programa aparecem concertos e exposições com obras de destacadas figuras da ilha como Agustín Bejarano e Cosme Proenza.

Também há planejados espaços de reflexão e análise, de traçado de estratégias e redes que unam os cineastas que o apostam tudo ao cinema concebido como um risco e uma aventura artística. Um cinema edificado sobre orçamentos às vezes hilários, decidido a abrir-se passo ante a escalada das indústrias multinacionais, que combata a violência que impera e se torne em voz dos grupos sociais ignorados.

Fonte: ACN

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Animação baseada em Literatura de Cordel

Confira animação baseada em Literatura de Cordel, A Árvore do Dinheiro. Dirigida por Marcos Buccini e Diego Credidio, ganhou Melhor Animação (Júri Popular) - Animamundi Web 2002.

A Árvore do Dinheiro

Sinopse
A Árvore do Dinheiro é uma animação que procura resgatar a simplicidade e beleza da Literatura de Cordel. Uma arte popular e um dos símbolos mais importantes da Cultura Nordestina.

Gênero Animação
Diretor Marcos Buccini / Diego Credidio
Ano 2002
Duração 5'55''
Cor P&B / Colorido
País Brasil


Postado originalmente no Música&Poesia

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Os filmes como moeda

Matéria interessante de Ana Paula Sousa, publicada na revista CartaCapital.

Os filmes como moeda
por Ana Paula Sousa

Atividade escorada em incentivo público, o cinema brasileiro vê-se, vira e mexe, metido em discussões sobre a legitimidade de certos modelos de apoio. Nos anos 2000, houve polêmicas, por exemplo, em torno do artigo 3º da Lei do Audiovisual – que permite às majors de Hollywood a aplicação de dinheiro de imposto em produção – e dos concursos destinados a partilhar as verbas das estatais. Pois, agora, uma nova fonte de financiamento deixa o setor de orelhas em pé: os Funcines.

Se a Lei do Audiovisual, criada em 1993 para ressuscitar o cinema afundado por Collor, acoplou ao cenário a figura do diretor de marketing, incumbido de decidir que filmes mereciam patrocínio, os Funcines moldam outro personagem de terno e gravata, o investidor financeiro.

O novo mecanismo, como o nome anuncia, é um fundo dedicado ao audiovisual. O primeiro deles, operado pelo Banco do Brasil, nasceu em 2004. Mas só agora o sistema vingou de fato. Neste momento, quatro Funcines estão cadastrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com um patrimônio total de 32,6 milhões de reais.

O mais polpudo e antigo em operação é gerido pela Rio Bravo, companhia criada por Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central. O RB Cinema 1 injetou dinheiro em filmes como O Maior Amor do Mundo (2006), Querô (2007), O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias (2007) e Desafinados, ainda inédito. Outros virão.

A despeito de serem geridos por investidores privados, os fundos são tema público por uma simples razão: podem se beneficiar de um incentivo fiscal que permite dedução de 100% do Imposto de Renda devido pelas empresas. Quando nasceram, o teto de dedução ficava na casa dos 60% e, provavelmente por isso, pouquíssimo interesse despertaram.

“O incentivo é meu argumento de venda”, afirma Gustavo Catão, analista da Rio Bravo. O que ele diz aos possíveis cotistas? “Em vez de pagar o imposto, você coloca o dinheiro num Funcine e eu posso retorná-lo para você.” Na definição do próprio analista, “é um argumento irresistível”.
Não é demais lembrar que imposto que deixa de ser pago é, em tese, dinheiro público. Como 20% dos fundos podem ser investidos em títulos e, enquanto os filmes não são feitos, todo valor fica aplicado, há quem questione o rumo das operações. “Mesmo que o filme seja um fracasso de bilheteria, o investidor vai ganhar. Os investidores que não põem dinheiro próprio têm rentabilidade garantida”, pontua o cineasta André Klotzel, integrante da diretoria da Associação Paulista de Cineastas (Apaci).

O presidente da entidade, Ícaro Martins, vai além. “Do jeito que está, o mecanismo tem todas as condições para se tornar um esquema de lavagem dinheiro. Ele deixa brechas para achaques e atrai todo tipo de aventureiros do mercado de capitais. Se nada for feito, os Funcines podem virar o grande escândalo do cinema brasileiro”, alerta.

O temor se estende para outros produtores e cineastas, que, em público, preferem não meter a mão nessa cumbuca. O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, por sua vez, aplaca os ruídos da possível polêmica.

Questionado sobre a legitimidade de se colocar dinheiro 100% incentivado na roda financeira, ele joga sobre a mesa, como contra-argumento, todos os incentivos fiscais. “Me parece uma pergunta capciosa. O dinheiro não tem como destino o mercado financeiro, ele tem obrigação de ser investido em filmes”, frisa. “Não há diferença de legitimidade em relação ao artigo 1º da Lei do Audiovisual. Quem questiona o Funcine deveria questionar a Lei do Audiovisual. Ambos usam dinheiro público. Um fica na mão de um investidor. Outro, na de um produtor.” Talvez esteja aí o nó da questão.

Se no artigo 1º o interesse dos investidores passava pelo possível ganho de imagem da marca, no Funcine a idéia é ganhar dinheiro a partir de dinheiro. Mas a Lei do Audiovisual, prorrogada até 2010 – o prazo inicial era 2003 –, nunca conseguiu criar a cultura do investimento sem incentivos. Por que os Funcines conseguiriam?

“Nos Funcines, a lógica é outra. Os recursos são administrados por gestores que buscam rentabilidade e, ao mesmo tempo, seguem parâmetros de política pública”, diz Rangel. Para quem teme que os fundos roubem patrocinadores do produtor independente, Rangel assegura: “Não é o que tem ocorrido. Os dados demonstram que os Funcines se desenvolvem paralelamente e têm atraído novos investidores”.

Mas, por enquanto, boa parte do dinheiro veio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Só para 2008 o banco prevê um investimento mínimo de 25 milhões de reais em Funcines. Luciane Gorgulho, chefe do Departamento da Cultura da instituição pondera que, em 2007, apenas um terço do dinheiro dos fundos usou o mecanismo de dedução fiscal e anota que os editais de financiamento continuam.

“O BNDES tem uma carteira de investimentos em fundos de 1 bilhão de reais. Os Funcines são um investimento pioneiro, que sinaliza para o mercado uma oportunidade de negócio. O objetivo é fazer o cinema se desenvolver como setor econômico”, explica Gorgulho. “Também não pretendemos investir em todo e qualquer Funcine, mas naqueles que contribuem para os gargalos da indústria, como a distribuição.”

Foi esse o caso do fundo Lacan-Downtown, destinado à distribuição de filmes brasileiros. Hoje, têm poder de fogo nas salas de cinema basicamente os filmes distribuídos por majors, como Columbia e Warner. Esse Funcine, visto como uma nova alternativa para colocar os títulos nas telas, recebeu 8 milhões de reais do BNDES e captou 4,6 milhões com dez empresas, todas estreantes no setor audiovisual.

“A captação direta, feita pelos produtores, desestimulou as empresas a investir, até porque, se colocasse 500 mil reais num projeto, o patrocinador desaparecia no meio de vários outros”, avalia Bruno Wainer, distribuidor e idealizador desse Funcine. Para reforçar a idéia de que o novo investimento não se dá por razões institucionais e sim financeiras, ele informa que, dos dez investidores, oito declaram não querer retorno de imagem.

“Minha responsabilidade é oferecer o maior retorno aos investidores. Estou buscando o melhor negócio possível. Existe um erro qualquer no cinema brasileiro que faz com que se produza sem responsabilidade de retorno”, prossegue Wainer. Em 2007, foram lançados 82 títulos nacionais. Desses, 49% fizeram até 10 mil espectadores e 32% ficaram na faixa entre 10 mil e 100 mil ingressos.

Os investidores, de modo geral, parecem querer tirar do cinema um lucro que, fora de Hollywood, ele muitas vezes não dá. Paulo Bylik, sócio da Rio Bravo, diz que aplica em cinema como em ossos de titânio e software de telefonia. Até por isso, trata como periférico o incentivo fiscal – a despeito de tê-lo usado. “Essa é uma muleta sobre a qual o cinema brasileiro se apóia e que não leva a lugar nenhum. Para quem quer produzir um filme de sucesso, a conta do Imposto de Renda é subsidiária.” Será?

Todos sabem que, por ora, sem incentivo fiscal, a produção – às vezes negócio, outras tantas vezes cultura – definharia. Num País em que 90% dos municípios não têm sala de cinema e a tevê aberta não compra filmes nacionais, raros são os títulos que se pagam. O próprio RB Cinema 1 só teve retorno financeiro com O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias.

Não à toa, as dificuldades de se conciliar interesses entre cineastas e homens de finanças começam a surgir. Os produtores de filmes menores nem procuraram nem foram procurados por Funcines. “Tudo o que conseguimos foi captado pela Paula Lavigne”, diz Giba Assis Brasil, da Casa de Cinema de Porto Alegre, produtora dos filmes de Jorge Furtado. “Esse é um negócio que funciona onde tem dinheiro. Não temos acesso a essas negociações.”

Mesmo Luiz Carlos Barreto, o mais famoso produtor brasileiro e um dos articuladores dos Funcines, tem tido dificuldades de negociação. “Os Funcines são uma fonte fundamental de financiamento, mas algumas propostas são inaceitáveis. Eles querem, por exemplo, prioridade no resgate da receita dos filmes”, relata.

À necessidade de regulamentação, a Ancine responde com uma consulta pública. A partir das manifestações do setor, deve ser publicada uma nova instrução normativa para definir alguns parâmetros dos futuros contratos. É o cinema-negócio estreando.


Fonte: CartaCapital

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Festivais de cinema em números

Reportagem publicada no sítio PortalLiteral.

Confira os números da primeira pesquisa realizada com 132 festivais de cinema brasileiro, realizados aqui e no exterior. Enquanto estes eventos crescem, diminui o espaço para o filme nacional no circuito comercial

por Bruno Dorigatti para o PortalLiteral

O número de festivais dedicados aos filmes brasileiros cresce a cada ano, os eventos tornam-se cada vez mais descentralizados, o público ultrapassa a casa dos 2 milhões. Logo, poderíamos deduzir uma maior exibição de filmes nacionais nas telas de cinema. Infelizmente, não é isso que vem ocorrendo. No circuito regular, as 2.096 salas de cinema (das quais, apenas 70 são de cinemas de rua; o restante, está em shoppings e nos chamados multiplex) exibiram, em junho de 2007, 92% de filmes norte-americanos, sendo que, desta porcentagem, 70% das salas eram ocupadas por apenas três blockbusters.

Se, ao mesmo tempo, é possível lamentar essa situação nas telonas, vislumbra-se outro território de combate e militância do cinema nacional, para além dos festivais: as novas plataformas de exibição, seja através da recém-criada TV Brasil, ou dos Pontos de Cultura, sem falar no imenso alcance da internet e, sobretudo, da telefonia móvel.

Estas constatações surgiram no debate realizado na última sexta-feira, 7 de março, na 1. Feira Livre - Feira Audiovisual do Rio, como parte da 7. Mostra do Filme Livre, quando foram lançados o estudo inédito Festivais audiovisuais: diagnóstico setorial 2007; indicadores 2006, e a 10. edição do Guia Kinoforum: festivais de cinema e vídeo 2008. Ambos estão disponíveis on-line. Confira os links ao final desta matéria.

Participaram, entre outros, Antonio Leal, coordenador geral do
Fórum dos Festivais e do Diagnóstico setorial, que apresentou um resumo dos principais números da pesquisa (leia abaixo), Zita Carvalhosa, organizadora do Guia Kinoforum 2008, e Sílvio Da-Rin, secretário do Audiovisual.

Da-Rin está há 100 dias no cargo, em substituição a Orlando Senna, que ocupa agora a direção geral da TV Brasil. Diretor do documentário Hércules 56 (2007), sobre 15 prisioneiros políticos trocados pelo Embaixador americano num seqüestro em 1969 por grupos revolucionários, o novo secretário levantou três pontos a respeito do Diagnóstico setorial dos festivais audiovisuais. "Primeiro, gostaria de ressaltar o ineditismo, a criação de uma metodologia, lastreada por iniciativas anteriores, como o Guia dos Festivais que este ano alcançou sua décima edição. Segundo, que isto acontece no ano de um boom, quando tivemos, de 2005 para 2006, um aumento de 37,5% no número de festivais quando estes passaram de 96 para 132. Então tínhamos a necessidade deste mapeamento, e ele veio na hora fundamental. Terceiro, que estamos instituindo uma base de dados não só para consulta, mas também para análise", afirmou Da-Rin.

O secretário lembrou ainda do lançamento do
Observatório dos Editais, que aconteceu um dia antes, 6 de março, e pretende "estruturar e sistematizar as seleções públicas do Ministério da Cultura". Segundo dados do Ministério, desde 2003, a cada ano, o MinC tem aumentado em 75% o uso de seleções públicas em suas políticas de apoio à cultura.

Leal apontou a importância dos eventos como processos, que não acabam quando o finda o festival. "Em Belém do Pará, por exemplo, depois do festival que acontece geralmente no começo de julho ele se torna itinerante pelas ilhas e vai até o outro festival." O processo também pode ser percebido nos Pontos de Cultura, que já passam de 650, e basicamente são projetos de inclusão social e cultural já existentes que recebem apoio do MinC para desenvolver seus projetos, sem tutela, mas com prestação de contas para que continue recebendo esse incentivo. Parte do incentivo recebido pelos Pontos é utilizado para aquisição de equipamento multimídia em software livre composto por microcomputador, miniestúdio para gravar CD, câmera digital e ilha de edição. E agora os Pontos de Cultura começam a se tornar também locais de exibição.

E está aí a saída para o cinema brasileiro alcançar um público maior. É preciso que o fetiche pela telona – onde muitos produzem pensando em serem exibidos no cinema – dê lugar pela busca de novas platéias. Como os Pontos de Cultura, a TV Brasil, que vem ampliando, desde a época que funcionava como TV Educativa, o espaço para o cinema e o documentário brasileiros. Sem falar nas novas tecnologias.

Da-Rin lembrou que o país possui hoje 2.096 salas de cinema. Hollywood cada vez mais faz lançamentos globais de seus blockbusters, às vezes com números exobritantes de 700 cópias por filme, sem falar nos gadgets e subprodutos que invadem o mercado junto com o filme, e a pomposa verba de mídia. "Tela de cinema, hoje, é isso. O acesso se tornou complicado, Em 2007, 80 filmes foram lançados no país, mas isso acaba por pulverizar-se. Somente dois ultrapassaram um público de 2 milhões de telespectadores [Tropa de elite e A grande família], a média foi de 50 mil, 100 mil telespectadores. Em 2003, tínhamos 22% de ocupação das telas. Hoje, este número é de 10%", apontou o secretário, que concluiu: "A aspiração à tela esbarra em obstáculos poderosos. Por outro lado, a tecnologia digital é a opção, com DVD, TV digital, internet, telefonia móvel", indicando um possível caminho da Secretaria do Audiovisual, que contemple essas possibilidades mais democráticas para a exibição da nossa produção.

Números

No Diagnóstico setorial 2007, primeiro estudo sobre o tema, realizado pelo Fórum dos Festivais, foram identificados 132 eventos realizados em 2006, 22 deles em sua primeira edição. Em 1999, eram 38 eventos. Do total de festivais dedicados ao cinema brasileiro, 9 aconteceram no exterior, e 123 no país. O Sudeste do país lidera, com 68 festivais realizados em 2006, seguido pelo Nordeste, com 20, Sul, com 15, Centro-Oeste com 11, e Norte, com 9 festivais. Embora a concentração ainda se dê nas capitais, onde acontecem 78 de todos os 123 realizados em território nacional, o número de eventos realizados no interior do país alcança a marca de 45. Os únicos estados que ainda não têm uma mostra regular de audiovisual em 2006 são Acre e Roraima.

O total de público presente nos festivais audiovisuais realizados em 2006 alcançou a marca de 2.209.559 pessoas, o que dá uma média de 16.739 espectadores por festival. A concentração segue no Sudeste, sobretudo em São Paulo (479.100 espectadores, 21,68% do total), Rio de Janeiro (456.800 espectadores, 20,67%) e Minas Gerais (184.609 espectadores, 8,36%), que somadas chegam a 1.120.509 pessoas, ou 50,71%, mais da metade do púbico total. Mas quem chama a atenção são os estados de Goiás e do Amazonas. O primeiro, com apenas três festivais, atraiu 181 mil espectadores (8,19% do total), e alcançou a melhor média, com 60.333. Já o Amazonas, com quatro festivais, alcançou 156 mil espectadores (7,06% do total), com média de 39 mil por evento.

O total de exibições alcançou o expressivo número de 12.512, sendo que 72,31% destes, ou 9.048, foram de curtas-metragens. Os longas ficaram com 20,58% de participação, com 2.575 exibições, os média-metragens com 6,72%, e 841 exibições, e os seriados representaram 0,39%, com apenas 48 exibições. A respeito dos espaços de exibição, 72,97% dos festivais utilizaram salas existentes em espaços culturais, 52,25% deles adaptaram ou adequaram salas já existentes, 47,75% realizaram projeções ao ar livre, 34,23% ocuparam salas do circuito comercial existente, 23,42% se utilizaram de tendas e lonas, 14,41%, de escolas, e 8,11%, de clubes. Lembrando que o número total ultrapassa os 100%, já que alguns festivais se utilizam de diferentes espaços.

Além de fortalecer e viabilizar a exibição de filmes que dificilmente teriam outro canal para exibição, 71,97% dos festivais realizam seminário, debates ou mesas de discussão a respeito da produção cinematográfica brasileira, 60,61% ministram oficinas, e 43,94% têm como atividade complementar workshops. É dentro deste circuito de festivais que acontecem os encontros do Congresso Brasileiro de Cinema (CBC), da Associação Brasileira de Documentaristas e Curtametragistas (ABD&C), da Associação dos Produtores e Cineastas do Norte e Nordeste (APCNN), do Fórum dos Festivais, do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) e da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), entre outros.

Outro aspecto que pode ser considerado democratizante é a gratuidade da ampla maioria dos festivais: 84,85% não cobram ingressos, e o restante, 15,15%, cobra, mas mantém sessões gratuitas, como as lonas culturais e exibições na praia, no Festival do Rio.

Os recursos movimentados pelos 132 festivais realizados em 2006, no Brasil e no exterior, envolvendo o cinema brasileiro quase alcançaram a quantia nada desprezível de R$ 60 milhões, valor que engloba a captação em recursos financeiros, parcerias, apoios, bens e serviços. O estado que mais captou foi o Rio de Janeiro, com R$ 13.653.965 (22,77% do total), seguido por São Paulo, com R$ 10.428.125 (17,39%), e os nove festivais no exterior, que totalizaram R$ 6.483.000 (10,81%). A concentração segue no eixo Rio-SP. O Sudeste foi responsável por quase metade dos recursos captados em 2006, com R$ 29.066.240, ou 48,46% do total, seguido de longe pelo Centro-Oeste, com R$ 7.690.000, 12,82% do total.

Destes (quase) R$ 60 milhões, R$ 26.184.236,80 foram captados através da Lei Rouanet (43,66% do total), R$ 7.283.400 vieram do apoio dos governos estaduais (12,14%) e R$ 6.076.926,20 através da obtenção de apoio em Bens e Serviços, ou seja, com parcerias tradicionais dos festivais com empresas do setor de infra-estrutura audiovisual, como Quanta, Labocine, Kodak, Link Digital, TeleImage, Estúdios Mega, Megacolor, Casablanca e Cinerama, além de outras empresas e instituições, como Centro Técnico Audiovisual (CTAv), Cinemateca Brasileira, Ministério das Relações Exteriores, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Agência Nacional do Cinema (Ancine), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), Sesc, Canal Brasil, Revista do Cinema Brasileiro, Revista de Cinema, Rede Brasil (hoje, TV Brasil), além de companhias aéreas, restaurantes e outras empresas do setor de distribuição, exibição, comunicação, logística e tecnologia.

Os principais patrocinadores foram as grandes empresas estatais, como a Petrobras, Eletrobrás, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, Infraero, Banco do Nordeste e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Em dezembro de 2006, a Petrobras lançou o primeiro edital de seleção pública para a escolha de projetos de festivais de cinema, onde foram contemplados 23, dos 87 inscritos. Somando-se aos 15 festivais apoiados como projetos de continuidade, o total de eventos com patrocínio da estatal chegou a 38.

Calendário

Já o Guia Kinoforum: festivais de cinema e vídeo 2008 apresenta, em sua versão impressa, 128 festivais, divididos em "Circuito consolidado", com 55 festivais, "Ampliando o circuito", com 64, e "A conferir", eventos que ainda dependiam ou dependem de recursos e apoio para serem realizados, com 9. O Guia tem atualização on-line, e o número de eventos geralmente cresce no decorrer do ano. Ele traz as principais informações de cada festival, como prazo de inscrições, programação, atividades paralelas, contatos, responsáveis, e os últimos premiados. Além disso, traz informações sobre festivais internacionais, circuitos alternativos de exibição, a produção audiovisual nacional de longas, curtas e médias-metragens de 2006-2007, números do mercado audiovisual brasileiro compilados pela Filme B, mecanismos de fomento (leis de incentivo, editais etc.), cursos de formação superior, escolas audiovisuais e oficinas de inclusão audiovisual, e lista de contatos de distribuidoras e produtoras. Indispensável para quem produz audiovisual no país e deseja ver sua obra circulando.

Confira:

Festivais audiovisuais: diagnóstico setorial 2007; indicadores 2006.

Guia Kinoforum: festivais de cinema e vídeo 2008.
O Guia 2008 entra no ar no dia 15 de março.

Observatório dos Editais.

Fonte: PortalLiteral