quinta-feira, 19 de junho de 2014

Grupo E - Equador curta-metragem

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Junto com Chile, o Equador é um dos dois países sul-americanos que não fazem fronteira com o Brasil. Talvez isso seja um dos fatores que contribuam pra não termos muito contato com a cultura equatoriana. Um dado interessante  é que, por causa das Ilhas Galápagos, a República del Ecuador foi considerado o país de maior biodiversidade do mundo por unidade de área. Falando de cinema equatoriano, pode-se dizer que nestes últimos anos tem vivido seu auge por conta de uma conjunção de fatores: o incentivo de políticas públicas, a criação de escolas audiovisuais, o reconhecimento internacional de algumas de suas produções e o interesse do público equatoriano pelo cinema nacional. Esse crescimento tem como marco o longa Ratos, Ratones, Rateros (1999), de Sebastián Cordero. O sítio da BBC Brasil em 2010 escreveu "Cinema do Equador desponta com foco em imigração e ajuda do governo", detalhando sobre o fenômeno do cine equatoriano e sua temática. Já a matéria "Cinema equatoriano vive auge com 182 filmes em 5 anos", publicado em 2011 pelo portal Terra, fala dessa ascensão.

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À ESPERA. A jornada de uma menina em curta equatoriano
Não é à toa que apresento aqui uma das mais bonitas produções que tenho assistido nessa minha solitária e maluca busca por curtas-metragens dos países que jogam a Copa do Brasil. Foi de cara, o primeiro que vi, nunca imaginei que seria tão fácil achar um curta equatoriano pra postar aqui. Uma maravilha que, inicialmente, nos contempla com a beleza da paisagem do Equador. Já de início percebe-se uma fotografia diferenciada, que privilegia os espaços, o lugar, a natureza. Em seguida surge uma garotinha linda, vestindo roupas típicas da região com cores intensas. En Espera mostra a longa jornada que a menina faz pra se deslocar da zona rural até a cidade. Sem pressa, valorizando o percurso com planos abertos e longos pra um filme de quinze minutos, a jovem diretora Gabriela Calvache conduz seu curta com a experiência de um veterano e com rara propriedade apresenta uma história comovente e intimista. Emocione-se com este curta que conquistou diversos prêmios mundo a fora.
En Espera


Sinopse
Entre a cidade e o interior, formas modernas e sutis de escravidão se desenrolam. Uma garota espera, na beira da estrada, pelo caminhão que vai levá-la à cidade.

Gênero Ficção
Diretor Gabriela Calvache
Elenco María Sol Barragán, Juan David Mayorga, Orlando Barrionuevo, Rosa María Sevilla
Ano 2010
Duração 15min
Cor Colorido
Bitola HD
País Equador

Grupo E - Honduras curta-metragem

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Honduras é um país da América Central, tá certo. Daí eu te pergunto, sabe o que significa Honduras? A palavra Honduras vem do espanhol e significa "profundezas" (no singular, hondura), em referência às águas profundas no litoral sul do país (fonte: wikipédia). Agora sobre o cinema hondurenho. O nome mais importante da cinematografia da República das Honduras é o falecido cineasta Sami Kafati, autor do primeiro filme hondurenho, um curta-metragem experimental produzido em 1962. Li algumas reportagens e blogs hondurenhos especializados pra buscar informação, também assisti aqui na internet vários trailers da recente onda de filmes hondurenhos. Apesar de interessante — têm filmes de variados gêneros, do terror até cine policial, não achei nada que pudesse destacar aqui. Parece que eles ainda não possuem um filme que tenha ganhado projeção internacional. Não que isso seja indicativo de cinema de qualidade, talvez o mais importante é que eles, neste momento, com um cine em ascensão, consigam desenvolver internamente algo com identidade.

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SOFRIMENTO. Cena de El Profe, curta hondurenho
O curta selecionado pra representar Honduras nesta Copa de Curtas do Outro Cine, mostra o dilema de um professor do ensino médio que sofre ao ser testemunha do drama de um aluno. Acho difícil que algum professor não se identifique com este tema tão universal, algo que poderia ser em qualquer escola latino-americana. O professor fica em dúvida sobre até que ponto deve interferir na vida do garoto. Ao ficar impotente frente ao caso, ele é atormentado por um sentimento de omissão. El Profe ganhou o prêmio de melhor cortometraje e melhor fotografia num festival promovido por um importante jornal hondurenho.

El Profe


Sinopse
Professor da escola vê passar diante de seus olhos a tragédia sofrida por um de seus alunos e vizinhos.

Gênero Ficção
Diretor Angel Maldonado
Elenco Jorge Osorto, Bryan Rodezno, Diego Rivera
Ano 2012
Duração 8min
Cor Colorido
País Honduras

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Grupo E - Suíça curta-metragem

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A neutralidade sempre foi a marca registrada da Suíça, conhecida também pelo queijo, chocolate, relógios e o famoso canivete. Entretanto, se depender do futebol e do cinema, talvez o país dos Alpes nem constasse no imaginário popular. Sem uma cinematografia marcante, a Suíça se especializou em documentários, já no cinema de ficção é marcada por coproduções. Pra não ser injusto, podemos citar Jean-Luc Godard, cineasta franco-suíço que viveu a infância e juventude na Suíça, mas que teve toda sua carreira baseada na França. 

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O Começo do FIM. Nem tudo é o que parece em curta suíço
Ter o alemão, francês e italiano como línguas oficiais dificultou minha busca por curtas-metragens produzidos na Suíça. Afinal, devo procurar por kurzfilm, court-métrage ou cortometraggio? Até esses tradutores de sites tem dificuldade de traduzir páginas que contenham conteúdo escrito em mais de um idioma, coisa que apareceu muito. No entanto, fui agraciado com o meu achado e se a qualidade deste promissor cineasta curtametragista conseguir se traspassar para longas-metragens, creio que há esperança pro cinema suíço. O filme se chama Le Début de la Fin, traduzindo para o português seria "o começo do fim", nome emblemático que dá pistas sobre o fim de uma relação. Um casal, um amigo e muitas fotos. Elisa carrega consigo uma Polaroid e tira foto de tudo a cada instante. Embaralhe essas imagens e tente entender, a partir das fotos, o que aconteceu. É isso que se desenvolve em Le Début de la Fin, com uma montagem vertiginosa e labiríntica pode ser que nada seja o que parece ser. Destaques justamente pra fotografia e montagem.

Le Début de la Fin


Sinopse
Elisa, Oscar e Arthur estão caminhando para uma queda. Na calada da noite começa um jogo de poder e sedução perigoso em que Elisa puxa as rédeas. O polaroide que ela nunca para de usar expressa seu prazer em confundir a questão.

Gênero Ficção
Diretor Jean-François Vercasson
Elenco Mark Kelly, Isabelle Caillat, Jean Vocat
Ano 2011
Duração 17min
Cor Colorido
Bitola HD
País Suíça

terça-feira, 17 de junho de 2014

Grupo D - Uruguai curta-metragem

Corto, curta, short film
Bicampeões mundiais no futebol, o Uruguai parece ter ficado pra trás com suas glórias no esporte mais apaixonante do mundo. No entanto, no que se refere a política e direitos civis, la República Oriental del Uruguay, está e sempre esteve na vanguarda, anos-luz de qualquer país do continente. Foi o primeiro país a legalizar o divórcio, o segundo país da América a conceder às mulheres o direito ao voto. Também foi o primeiro país sul-americano a legalizar uniões civis entre pessoas do mesmo sexo e a permitir a adoção homoparental. A segunda nação sul-americana a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo e o primeiro do mundo a legalizar o cultivo, a venda e o consumo de cannabis (Fonte: Wikipédia). Já no cinema, infelizmente a produção é pequena como o tamanho de seu território. Destaca-se o ótimo Whisky (2004) ganhador de dezenas de prêmios internacionais, lamentavelmente, dois anos após sua realização, o filme perdeu um dos seus promissores diretores, Juan Pablo Rebella suicidou-se em 2006. Do cinema contemporâneo uruguaio destaque também para El Baño del Papa (2007), coproduzido com o Brasil, Gigante (2009) coprodução internacional; do mesmo modo poderíamos considerar Plata Quemada (2000), filme argentino, filmado e coproduzido no Uruguai.

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INVASÃO. Capital uruguaia é invadida por robôs alienígenas
Nos curtas-metragens, o grande sucesso da produção uruguaia é um breve filme de cinco minutos que ganhou destaque mundo afora pela qualidade de seus efeitos visuais. A produção custou impressionantes 300 dólares, valor impensável pelo realismo das cenas. O cortometraje chama-se Ataque de Pánico! e mostra a descentralização das invasões alienígenas, nada de Nova Iorque, desta vez é Montevidéu que é arrasado por robôs gigantes. O curta chamou tanta atenção, que seu diretor Federico Álvarez logo recebeu convites dos grandes estúdios como Dreamworks, Fox e Warner. Hoje em dia é conhecido por Fede Alvarez e foi o diretor e co-roteirista do remake de Evil Dead.
Ataque de Pánico!


Sinopse
Montevidéu é atacada por uma legião de robôs gigantes alienígenas.

Gênero Ficção
Diretor Federico Álvarez
Elenco Diego Garrido, Pedro Luque, Rodo Sayagues
Ano 2009
Duração 5min
Cor Colorido
País Uruguai

Grupo D - Costa Rica curta-metragem

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Costa Rica é um país centro-americano, o idioma oficial é o espanhol e... Acho que é o que lembro nesse momento. Graças a companheira Wikipédia aprendi que a Costa Rica é o único país da América Latina incluso na lista das 22 democracias mais antigas do mundo e aboliu o seu exército em 1948. O paraíso é logo ali e eu nem sabia! Sobre o cinema, apenas descobri que a  maior bilheteria na história do cinema costarriquenho é de um filme feito lá, chamado Gestación (2009), dirigido por Esteban Ramírez. Se quiser dar uma olhada no trailer clica aqui.

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Night Club HOLLYWOOD. Cena de Carnada, curta costarriquenho
O curta-metragem costarriquenho selecionado chama-se Carnada, filme de 2012 que a principio é o ponto de partida do longa-metragem Cacería, ainda em fase de captação de recursos e que provavelmente será rodado este ano. Independente do longa, o curta tem vida própria e foi filmado nas ruas da capital San Jose e dentro de um night club, frequentado por Rafa, homem de meia-idade divorciado que nutre uma paixão obsessiva pela deslumbrante stripper Melissa, interpretada pela linda Johanna Vargas. O destaque do filme fica por conta da sensual apresentação de pole dance que Johanna, que é bailarina de dança contemporânea, dá na boate curiosamente chamada Hollywood. Dirigido por Carlos Benavides, o curta fala de amor e solidão. Uma rara oportunidade pra que nós brasileiros possamos assistir um pouco do desconhecido cinema produzido na Costa Rica, aproveita.

Para ver CARNADA clique aqui (Infelizmente Carlos Benavides não deixou liberado o código de incorporação do vídeo)

Sinopse
Na hora mais solitária da noite, Rafa vai ansiosamente atrás da mulher que ama.

Gênero Ficção
Diretor Carlos Benavides
Elenco Oscar Arce, Johanna Vargas, José Andrés Alvarez Sanóu, Carina Zúñiga Rodríguez
Ano 2012
Duração 12min
Cor Colorido
Bitola HD
País Costa Rica

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Grupo D - Inglaterra curta-metragem

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Chega a vez da Inglaterra. O país que inventou o futebol está no complicado grupo D. Considerando além do futebol, existem admiradores da cultura inglesa em todos os recantos do mundo, principalmente no que se refere a música. Já no cinema, apesar dos grandes cineastas, dos filmes memoráveis e atores reconhecidos, o cinema inglês não goza do prestígio, por exemplo, de um cinema francês. Um artigo de Gilles Jacob (crítico, escritor e diretor), intitulado O Cinema Inglês (2011), comenta esse fato e já de cara dispara uma citação de François Truffaut: “O cinema inglês não existe”. O artigo trata de reconsiderar a polêmica frase de Truffaut e se posiciona sobre isso demonstrando que não é bem assim. Jacob enumera as diversas fases e os feitos cinematográficos da Inglaterra. Pra quem tiver curiosidade, o artigo está disponível na página do Festival de Cannes.

Drama CONTEMPORÂNEO. Violência e medo em curta inglês
Aqui vai uma pequena amostra pra contrariar Truffaut. O curta-metragem (short film) selecionado pra representar a Inglaterra nesta Copa de Curtas ganhou trinta e oito premiações em festivais, incluindo o Prêmio Internacional do Júri no Sundance Film Festival, nada mal pra um filme de um cineasta iniciante. O curta em questão chama-se Soft, que ao contrário do nome, é denso e faz pensar sobre medos que julgamos superados. Um crítico do The Guardian refere-se ao filme como chocante e violento e intimamente perturbador; já outro da Shots Magazine repara na habilidade do diretor de "extrair performances convincentes, muitas vezes de jovens atores inexperientes e não-profissionais". Soft inicia com um plano-sequência de uma perseguição, em seguida testemunhamos o espancamento de um jovem, que tem a dureza da cena reforçada pelo realismo documental da imagem conferida pelo aspecto de vídeo filmado por celular. Após isso entramos na casa e na realidade deste garoto que vive com o pai. O filme tem diálogos em inglês e não possui legendas, mas até eu que não entendo nada mesmo do idioma consegui entender, talvez aí a vantagem do inglês britânico. O diretor Simon Ellis sabe conduzir seu filme e, apesar da temática violência-jovem-gangue, ele não cai na tentação de transformar o filme em videoclipe, dirigindo-o de forma ponderada e acadêmica. Isso não é demérito, pelo contrário, assim ele dá o tom certo, conseguindo dirigir os atores e tirar deles grandes interpretações. Sinto dificuldade de comentar mais sobre o curta com o temor de revelar além do que deveria, mas creio que o filme lida com os terrores internos que todo mundo já viveu, porém, só não sabe se superou.


Sinopse
Quando um pai e filho são aterrorizados de forma independente pela mesma gangue de jovens, pai é forçado a lidar com os medos que ele não teve de enfrentar desde que deixou a escola, redescobrindo seu medo de confronto no pior momento possível.

Gênero Ficção
Diretor Simon Ellis
Elenco Jonny Phillips, Matthew O'Shea, Michael Socha, Ashley Marshall, Luke Kingston, David Harrison, Jess Buxton, Zara Hearnshaw, Kiddus Salassie
Ano 2007
Duração 14min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Inglaterra

Grupo D - Itália curta-metragem

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A Itália, poderosa no futebol e no cinema, coleciona grandes nomes em ambos. Seria injusto citar cineastas italianos, sempre faltaria algum nome, se bem que este humilde blog não se propõe e nem tem a pretensão de ser um compêndio do cinema. Mas pode se dizer que a importância do cinema italiano é inestimável. Influenciou desde Glauber Rocha, com o Neorrealismo italiano, até Tarantino, com Spaghetti western. Num artigo da Wikipédia há uma comparação simplista entre o cinema italiano e o brasileiro, constatando semelhanças entre os dois. Segundo o artigo, o cinema na Itália "foi muito popular dos anos 50 aos anos 70. Ao longo dos anos 70, a Itália fazia muitas comédias populares, e o Brasil fazia a comédia pornochanchada. O gênero de comédia popular na Itália era hegemônico, derrotando até mesmo os filmes de Hollywood". E segue dizendo que depois disso o mercado local despencou perdendo espaço pra produções hollywoodianas e que nas décadas de 80 e 90 o cine italiano praticamente desapareceu, restringiu-se a filmes de arte. A retomada veio faz pouco e recentemente as produções italianas voltaram a ter grandes bilheterias.

LIRISMO. Curta italiano transforma rugby em poesia visual 
Seguindo no meu desafio, il cortometraggio a rappresentare l'Italia! Na minha constante garimpagem eis que encontro uma preciosidade, um belíssimo (com direito a entonação italianada!) filme, que salvou minhas longas horas de busca. O curta se chama La Partita Lenta, dirigido pelo aclamado Paolo Sorrentino, que no currículo traz filmes como As Consequências do Amor (Le conseguenze dell'amore, 2004), que lhe conferiu prestígio internacional, e A Grande Beleza (La grande bellezza, 2013), produção vencedora do Oscar de melhor filme estrangeiro de 2014. La Partita Lenta traz a tona o dia de uma equipe de rugby, um esporte com fama de violento, mas, a contraste disso, o que se vê é poesia, um lirismo que os olhos de Paolo Sorrentino conseguem transmitir em preto e branco. Sorrentino domina a linguagem cinematográfica e utiliza com maestria planos e movimentos de câmeras, além de saber explorar as pausas e o silêncio que o ajudam captar cada detalhe do que ele quer dizer sem explicitar nada, ou quase nada. É curioso o realismo mesclado com a ficção, pois, nas filmagens foram utilizados ​​jogadores reais de rugby, pertencentes a uma equipe de série B de Roma. Talvez o curta deixe muitas perguntas para os que não percebem as entrelinhas, no entanto, o que dá pra saber é que presenciamos os momentos que antecedem a uma partida e ali há uma explosão de sentimentos, entre eles, companheirismo. O resto não precisa de respostas, os dez minutos de primor estético que o diretor nos presenteia não precisam de conclusões.
La Partita Lenta


Sinopse
Em uma atmosfera entre ficção e realidade, um jogo de rugby nos subúrbios se torna a alegoria da luta diária de uma família italiana contra as provações e tribulações da vida.

Gênero Ficção
Diretor Paolo Sorrentino
Elenco Monica Dugo, Roberto Bernardini, Renato Gnani, Francesco Iacorossi, Flavio Gregori
Ano 2009
Duração 10min
Cor P&B
Bitola 35mm
País Itália

sábado, 14 de junho de 2014

Grupo C - Colômbia curta-metragem

corto, curta, short filmeNesta Copa de 2014 vemos jogadores da seleção brasileira orgulhosos exibindo seus belos cabelos estilo black power, algo que a vanguardista seleção colombiana, décadas atrás já ostentava, com seus jogadores e suas melenas volumosas transgredindo os padrões vigentes. Naquela época a Colômbia era alegria e irreverência e não dá pra esquecer figuras como Higuita e Valderrama. Sobre o cinema eu ia falar do filme Maria Cheia de Graça (María, llena eres de gracia, 2004), mas descobri que é uma coprodução colombiana-estadunidense, filmada no Equador e, ademais, o diretor é americano. Então creio que não posso citar como exemplo de cinema colombiano. Entretanto, pra quem dá valor pra Oscar e coisa tal, pode-se destacar que a protagonista de Maria Cheia de Graça, a atriz colombiana Catalina Sandino Moreno, foi indicada ao Oscar de melhor atriz em 2005 por esse filme, tornando-se a terceira atriz hispânica a receber a indicação. O site MelhoresFilmes tem uma lista de filmes colombianos pra quem quiser conferir.

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Brincadeira de CRIANÇA. A violência é refletida em curta colombiano
O curta-metragem (cortometraje) colombiano que lhes apresento é o premiadíssimo Juego de niños. Com um elenco infantil, o curta mostra que meninos fazem o que sabem fazer: Brincar. A verdade é que por mais lúdico que sejam, normalmente as brincadeiras infantis refletem a realidade em que as crianças estão inseridas. Como garotos de qualquer lugar do mundo, estes pequenos colombianos brincam de guerra, a diferença é que estes jogam como se fossem paramilitares. Dirigir um elenco composto por crianças não deve ser algo fácil, tirar atuações convincentes de atores de pouca experiência é complicado, porém, o diretor e roteirista Javier González consegue extrair o melhor de seus atores mirins. Pra que o espectador entre na imaginação das crianças, Juego de niños apresenta um grande trabalho de pós-produção, com edição ágil e efeitos visuais bem interessantes. Filme bem acima da média, destaque também pro som e fotografia.
Juego de Niños


Sinopse
Pelo controle de um ursinho de pelúcia, a guerra de dois bandos de meninos se transforma num jogo perigoso pra eles.

Gênero Ficção
Diretor Javier González
Elenco Jhon Lopez, Santiago Rodriguez, Juan Niño, Maria Alejandra Rubio, Daniel Jimenez, José Luis Cano
Ano 2011
Duração 10min
Cor Colorido
Bitola HD
País Colômbia

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Grupo C - Grécia curta-metragem

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Chegou a vez da Grécia. Pra quem, como eu, não sabia, o nome oficial do país é República Helênica. Hoje tá difícil de escrever algo, bloqueio mesmo. A Grécia é considerada o berço de toda a civilização ocidental. Como tal, é o local de origem da democracia, da filosofia ocidental, dos Jogos Olímpicos, da literatura ocidental, da historiografia, da ciência política (essa parte toda é da Wikipédia mesmo, como disse, hoje tá difícil escrever). Pesquisando achei dois sites bacanas que tratam sobre o cinema grego. O Cinetoscópio traz uma lista dos dez filmes que um dos seus colunistas julga essenciais do cinema grego. E o Obvious, na coluna dedicada a sétima arte faz um apanhado do cinema helênico contemporâneo, onde constata que apesar da atual crise econômica (ou, quem sabe, por conta dela), a Grécia, dentro das telas, vive um de seus momentos mais criativos.

PET SHOP. Curta-metragem grego traz importante reflexão
Buscar curtas gregos foi uma surpresa pra mim. Não achei que seria tão difícil. Não pela escassez de produções, tem bastante coisa. O problema realmente é o idioma. E filmes falados em grego me deixaram com aquela cara de "parece que tá falando grego!". Piadinhas infames a parte, sabem como se escreve curta-metragem em grego? Torçam a língua: ταινία μικρού μήκους. A minha busca acabou quando achei o sensível e multipremiado Pet Shop. Tem poucos diálogos, mas todos são de fácil compreensão e vem com legendas em inglês. Um menino junta todos seus trocados e vai até uma loja comprar um bichinho de estimação, o problema é que os preços vão além do que ele conseguiu juntar. O tocante filme é do tipo que faz a gente repensar certos valores, principalmente em relação ao peso que se dá a aparência física.

Pet Shop


Sinopse
Nossa sociedade se aproxima e dá valor a vida de acordo com seus próprios critérios e os preços são de acordo a isso. Valoriza mais aparência do que substância.

Gênero Ficção
Diretor Michael-Gabriel Zenelis
Elenco Meletis Georgiadis, Thodoris Asimakis
Ano 2008
Duração 7min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Grécia

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Grupo C - Costa do Marfim curta-metragem

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Há quem diga que a Costa do Marfim é a melhor seleção africana nesta Copa. A principal esperança de gols da seleção da República da Costa do Marfim (République de Côte d'Ivoire) se chama Didier Drogba. Mas o que mais sabemos desta república? Vejamos, lá se fala francês. Como todos os países do continente africano, sofreu com a exploração europeia, neste caso, de Portugal e França. A interferência branca deixou a herança maldita: Pobreza e guerras civis. Mais do que isso, confesso envergonhadamente que não sei nada. Pesquisei no Google pra descobrir que o grande nome do atual cinema costa-marfinês (é assim mesmo que diz?) se chama Philippe Lacôte e sua grande obra é o longa-metragem Run (2014), que trata justamente sobre a guerra civil de uma década no país.

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Um minuto de SILÊNCIO. Drama em realista curta costa-marfinês
Achei que sofreria pra achar um court métrage da Costa do Marfim, mas não. Facilmente, apareceu sorrindo pra mim o curta chamado Une minute de Silence..., que foi postado no Youtube agora mesmo, neste último Abril, diga-se de passagem um belo achado. O filme mostra o funeral de uma vítima da recente crise que se instalou por lá em 2010. Logo após as eleições daquele ano, o país ficou dividido, tanto Laurent Gbagbo, então presidente, como seu oponente, Alassane Ouattara, proclamaram-se vencedores. Forças da ONU bombardearam algumas regiões e junto com forças francesas, incumbidas de intervir, entram em combate, do fogo cruzado resultou muitas mortes, inclusive do nosso protagonista. Rico tecnicamente, Une minute de Silence apresenta uma excelente decupagem e impressiona com o realismo de algumas tomadas, como aquela que se vê carros trafegando normalmente entre corpos estendidos na rua. Se eu entendi os diálogos do filme? Não, não entendo francês, mas compreendi tudo e percebo o quanto valeu a pena ficar quinze minutos em silêncio e assistir esta comovente produção costa-marfinense. Destaque também pra música final.
Une minute de Silence...


Sinopse
Une minute de Silence é uma história fictícia, mas os fatos e o contexto (ou seja, o bombardeio de campos militares e locais estratégicos em Abidjan por forças de paz da ONU e as forças francesas da operação Licorne) são inspirados por uma história real.

Gênero Ficção
Diretor Armand Breh
Elenco Stéphane Kousassi, Hortense Ahebee, Yann-Patrick Konan, Nina Kramoko, Justine Langui, Guy Kalou
Ano 2014
Duração 15min
Cor Colorido
País Costa do Marfim

Grupo C - Japão curta-metragem

curta, short film corto japonêsO Grupo C passa a impressão de ser um dos mais equilibrados desta Copa. O Japão tem grandes chances de avançar pras demais fases. Não sei o nome de nenhum jogador nipônico. Agora se tu me perguntar se eu conheço cineastas japoneses, sou incisivo como uma espada samurai: Akira Kurosawa, Takeshi Kitano, Tizuka Yamasaki (uou, acho que ela não conta como japonesa!). O cinema japonês não vive só de ninjas assassinos, monstros gigantes e samurais buscando reaver a sua honra, existe uma diversidade no cinema do sol nascente que foge das telas do cinema ocidental e por estes lados chegam mais as produções dos diretores consagrados.

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SIMETRIA. Curta japonês mostra obsessão compulsiva
Se eu disser que curta-metragem em japonês se escreve 短編映画 vocês acreditam? Eu não, mas foi um tradutor online que me disse! Representando o Japão nesta Copa de curtas que, absorto na minha falta de juízo, resolvi fazer durante a Copa do Mundo de futebol, apresento o premiado Right Place. Um cara envolto no seu transtorno obsessivo compulsivo não consegue enxergar o mundo além da busca pela simetria. Apesar de atrapalhar a sua vida, o TOC não é algo que parece lhe incomodar. Right Place é conduzido com maestria, as repetições do personagem se transformam quase que em música e, pessoalmente, nunca vi nada na ficção que mostre alguém com TOC ser tão bem representado como neste pequeno filme japonês; só alguém com este maldito transtorno pra perceber. Sim, talvez eu estar às cinco e meia da manhã, do dia que começa a Copa, procurando curtas que talvez ninguém assista aqui, pode indicar um forte traço de transtorno obsessivo compulsivo. Porém, se eu tivesse dormindo, nunca teria escutado essa linda frase dita pelo personagem japonês: – Assim como há um lugar certo para tudo em volta de mim, tem que ter o lugar certo para mim em algum lugar...
Right Place


Sinopse
Em RIGHT PLACE há um excêntrico trabalhador numa loja de conveniência cuja obsessão pela colocação de objetos no seu devido lugar lhe trará uma súbita e inesperada mudança na carreira.

Gênero Ficção
Diretor Kosai Sekine
Elenco Osamu Tsuji, Tsuyoshi Ohishi, Megumi Komatsu, Risa Mizutani, Kouji Yashiro
Ano 2005
Duração 5min
Cor Colorido
País Japão

Grupo B - Espanha curta-metragem


corto españa, curta, short filmQuem gosta de um bom filme, no mínimo sabe o nome de dois ou três diretores espanhóis. Com craques no campo e atrás das câmeras, a Espanha há tempos apresenta qualidade pra fãs do futebol e pra cinéfilos. Luis Buñuel (nasceu espanhol, morreu mexicano), Bigas Luna, Carlos Saura, Pedro Almodovár, Julio Medem, Alejandro Amenábar (este chileno, mas criado na Espanha), só pra ficar em alguns nomes.

Focando nos curtas-metragens, não sei precisar se a produção espanhola é maior que a brasileira, mas, talvez, na internet haja mais curtas espanhóis do que brasileiros. Parece que na Espanha estão mais avançados nesse aspecto que compreende que um filme é feito pra ser visto. Curta-metragem tem espaço limitado, vinculá-lo somente a festivais e deixá-lo preso a um restrito público frequentador desses eventos, é decretar a sua morte antecipada. A impressão que dá, que alguns realizadores daqui contentam-se em colecionar participações e menções em festivais e depois deixam, no que parece ser um sentimento possessivo, suas fitas guardadas em casa. Já os espanhóis têm inclusive um festival, o Notodo Filmfest que tem como regra que todos os curtas concorrentes fiquem disponíveis na internet desde o início do concurso e continuam depois do término do mesmo, como acervo que qualquer pessoa do mundo pode ver. Isso não é recente, o primeiro ocorreu em 2001 e já está na 11ª edição, com os participantes de todas edições à disposição.

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O que você quiser OUVIR. Sofía é uma mulher desolada
O corto selecionado pra representar a terra da Penélope Cruz no OutroCine chama-se: Lo que tú Quieras Oír. No entanto, antes de falar propriamente sobre a temática, peço permissão pra contar algumas curiosidades. O curta foi rodado em apenas um dia com uma equipe de 15 pessoas, numa única locação e com uma só atriz. Ao invés de fazer aquele caminho tradicional de todo curta-metragem, o jovem diretor Guillermo Zapata, decidiu não passar pelas dezenas de festivais e lançou o filme direto na internet, e mais, com uma licença Creative Commons (CC), não comercial, que permite copiar, distribuir e reproduzir livremente sem fins comerciais, em alternativa ao tradicional copyright (©). Quando completou dois anos no Youtube, Lo que tú Quieras Oír já se havia tornado um dos cinco mais vistos da história, o único de ficção entre os 20 mais do YouTube e também o único em espanhol. Fenômeno que, logo repercutiu fora da web, despertou o interesse de uma rede de cinemas local e o filme foi projetado em salas de cinema. Chega, vamos ao que interessa! Lo que tú Quieras Oír é um filme que conta de forma singela o drama vivido pela professora Sofía. Após um dia de trabalho como tantos outros, Sofía tem um recado na secretária eletrônica que irá abalar o seu lado emocional. É um filme valente, com méritos dentro e fora da tela, não é à toa que ainda figura entre os curtas mais assistidos da internet.
Lo que Tú Quieras Oír


Sinopse
Algo acontece com Sofía que a obriga a escolher entre a realidade, a ficção ou algo entre ambas coisas. Lo que tú Quieras Oír é uma história de amor sobre a relação entre a ficção e a realidade.

Gênero Ficção
Diretor Guillermo Zapata
Elenco Fátima Baeza, Adela Gutiérrez (voz off), Juanma López (voz off)
Ano 2005
Duração 7min
Cor Colorido
País Espanha

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Grupo B - Holanda curta-metragem

korte film, curta
A Holanda é uma das fortes seleções do Grupo B e desde que sua seleção ganhou o apelido de Laranja Mecânica (em alusão à obra homônima de Stanley Kubrick) sempre constou entre as favoritas da Copa, mesmo sem nunca ter ganho uma. Já vi alguns filmes holandeses, dos quais, infelizmente, não lembro os nomes, porém, como poderiam sugerir as más línguas, não é por frequentar algum coffeeshop em Amsterdã, falha-me a memória talvez por dormir tão pouco. Aqui tem um saite chamado Melhores Filmes, que listou um ranking de produções holandesas, na qual desconheço o critério de qualificação, se quiser confere aqui.

korte film, corto, short film
TÉDIO. Roupas que não secam em Nat, curta holandês
Assisti anos atrás um curta holandês bem bacana, o meu favorito pra esta postagem, a lástima é que ele estava no Google Vídeos, que deixou de existir, e não o localizei em nenhum outro lugar. Como lembrava que o filme girava em torno da bela música Dos Gardenias, na busca por ele, por coincidência, achei outro curta-metragem (korte film no holandês) que tinha essa canção como trilha. Só tinha duas cópias dele, ambas no Youtube, uma com uma qualidade inferior de áudio e vídeo e outra com boa qualidade mas incompleto – além de faltar os créditos ele foi cortado dois segundos antes de acabar. Pode parecer pouco, entretanto, me incomoda a interrupção abrupta do vídeo, faltando o significativo olhar final de um dos personagem. Com o dilema de qual deveria postar, a cópia ruim, porém, completa, ou a cópia boa e incompleta, optei pela primeira. O filme em questão chama-se Nat e mostra o cotidiano de um homem que trabalha num lixão. O seu tempo se divide entre o trabalho, o amor secreto que nutre pela vizinha e seu sério problema em secar roupas.

Nat


Sinopse
Um homem tenta secar as roupas dele, há apenas um problema... ou não há?

Gênero Ficção
Diretor Iván López Núñez
Elenco Tamar van den Dop, Nico de Vries
Ano 2005
Duração 9min
Cor Colorido
País Holanda

Grupo B - Chile curta-metragem

Cortometrajes, curtas, short film
O chamado grupo da morte desta Copa do Mundo é justamente o Grupo B, no qual o Chile se encontra. A seleção chilena precisa superar Espanha, Holanda e Austrália pra ficar em primeiro da sua chave e ainda torcer pra que o Brasil, seu verdadeiro carma futebolístico, igualmente se classifique em primeiro do grupo A pra não enfrentá-lo na próxima fase. Dessa forma ao menos seriam duas seleções sul-americanas com chances de seguir em frente sem a necessidade de uma ter que eliminar a outra. Agora o cinema. A produção chilena talvez viva o seu maior momento. Dominado por jovens cineastas que aprenderam a contar histórias sensíveis com roteiros mais introspectivos, o cine chileno vem conquistando diversos festivais internacionais. Segundo matéria de 2012 do jornal O Globo, o "Chile faz o cinema mais interessante da América Latina". Lamentavelmente por estes lados chega pouco dessa nova safra de longas chilenos.

Chile cortometraje, short film
Mundo de SONHOS. Roberto Farías em El Tesoro de los Caracoles
Enfim, vamos ao cortometraje que representa o Chile nesta Copa do Mundo de curtas-metragens do OutroCine. O selecionado se chama El Tesoro de los Caracoles e tem como figura central Quique, um rapaz com deficiência intelectual que acredita ter encontrado um tesouro guardado por caracóis. O filme transita entre o drama e a comédia. A incapacidade do jovem de discernir fantasia e realidade comove, ao mesmo tempo que é engraçado ver a estupidez ingênua de Quique, que mora com um pai passivo e a mãe superprotetora. Com uma baita fotografia e interpretação convincente de Roberto Farías, não é difícil entender como El Tesoro de los Caracoles faturou uma dezena de prêmios pelos mais de 30 festivais que participou. Entre no mundo de Quique e se delicie com uma chuva de sonhos.
Yerko Herrera
El Tesoro de los Caracoles


Sinopse
Depois de encontrar um tesouro valioso, Quique comete um crime. Sua mãe traça um esquema para encobrir o crime e manter as jóias.

Gênero Ficção
Diretor Cristián Jiménez
Elenco Roberto Farías, Luz Jiménez, Hugo Medina, Alejandro Trejo
Ano 2004
Duração 15min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Chile

terça-feira, 10 de junho de 2014

Grupo B - Austrália curta-metragem

short film, curta-metragem, cortoSe no futebol a Austrália não tem nenhuma tradição, no cinema o país do canguru tem diversas referências. Longas como Mad Max, Crocodile Dundee e Priscilla, a Rainha do Deserto, ou a animação Mary e Max, são alguns exemplos. Se formos citar atores nascidos na Austrália que se tornaram mundialmente famosos, temos uma lista com nomes como: Mel Gibson, Russell Crowe, Nicole Kidman e Cate Blanchett, entre tantos outros. Por certo que o idioma facilitou que alguns desses artistas, nascidos no outro lado mundo, trilhassem carreira em Hollywood. Mas aqui o assunto do OutroCine não são blockbusters, então, sem mais enrolação, vamos ao curta (short film) australiano que representa seu país nesta "Copa do Mundo" de curtas-metragens.

short film
RELACIONAMENTO. Jack e Jill não vivem seus melhores dias
O selecionado é Spider, um curioso filme de humor negro. A produção australiana já começa com um aviso, algo como "é tudo diversão e brincadeira até que alguém perde um olho" (numa tradução bem livre e com ajuda de tradutor online), e esse recado resume bem o espirito do que veremos a seguir. Jack é um cara bem-intencionado, mas que tem um irresponsável senso de humor, ele parece viver um relacionamento desgastado com sua namorada Jill, até que naquele dia resolve usar todos os recursos pra demonstrar seus reais sentimentos. Jack é interpretado por Nash Edgerton, também roteirista e diretor de Spider. A curiosidade é que Edgerton já exerceu a função de dublê em superproduções como Matrix e Star Wars. Pra quem gosta de efeitos visuais, Spider tem uma cena impressionante. Curte aí!

Spider


Sinopse
Jack e Jill estão sempre ferindo os sentimentos um do outro. Mas, como já dizia a mãe: "É tudo o divertimento e jogos até que alguém perde um olho."

Gênero Ficção
Diretor Nash Edgerton
Elenco  Nash Edgerton, Mirrah Foulkes
Ano 2007
Duração 9min
Cor Colorido
Bitola Super-16
País Austrália

Grupo A - Brasil curta-metragem

curta-metragem, short film, cortoChegou a vez do Brasil. O que parecia ser fácil de escolher virou um tormento. Assim como o Felipão deve, em algum momento, ser tomado pela incerteza de estar convocando os jogadores certos, sinto o peso da insegurança de estar ou não fazendo a escolha certa. Claro que escolhi um bom filme, entretanto, a boa qualidade curtametragista brasileira é famosa, ouso dizer que são até melhores que os longas-metragens. Assim como jogadores bons nascem em todos os estados do território nacional, as boas produções de curtas surgem de todas as regiões brasileiras. Chegou uma hora que, ou fico vendo dezenas de filmes e não sobra tempo pra postar aqui, ou eu escolho aquele que surgir como um amor à primeira vista. Apareceu essa paixão, do nada, meio sem querer, com um sorriso nostálgico, ela é paulista e se chama Alice.

Curta brasileiro
DESENCONTRO. Simone Spoladore é Alice
Alice é um curta-metragem realizado em 2005 por estudantes da FAAP. É incrível como uma produção de nove anos atrás consegue trazer tanto saudosismo. Saudade do tempo aonde o celular não era tão massificado, secretária eletrônica ainda tinha utilidade e aonde a textura do 35mm celebra esse tempo, nem tão distante, mas, que parece antigo. Apesar da história tratar do desencontro de duas pessoas parece contraditória a sensação de proximidade sem o auxílio e a frieza dos smartphones e suas dezenas de aplicativos. Quem dá vida a Alice é a encantadora Simone Spoladore (Desmundo, Lavoura Arcaica). A naturalidade de sua interpretação e sua voz envolvente transpassam uma melancolia comovente. Alice está triste e precisa ver Alex, vivido por Fernando Alves Pinto (A Via Láctea, 2 Coelhos). Dirigido por Rafael Gomes, com montagem do competente Esmir Filho, o curta tem uma linda trilha sonora. Confere Alice no reprodutor abaixo.

Alice

Sinopse
Em desencontro na cidade, Alice e Alex traçam uma geografia sentimental de amor e perda.

Gênero Ficção
Diretor Rafael Gomes
Elenco Fernando Alves Pinto, Simone Spoladore
Ano 2005
Duração 15min
Cor Colorido
Bitola 35mm
País Brasil

Grupo A - Croácia curta-metragem

curta-metragemCroácia, do Grupo A, empatado com o Camarões, certamente foi o mais difícil para encontrar filmes. Como se pode supor, não entendo nada de croata, mas, aprendi que curta-metragem em croata é kratki film. Ou seria kratkometražni film? Ficou meio incerto, pode ser que se fale das duas formas, assim como curta ou curta-metragem. Sei lá! Não era só o idioma dificultando minha busca, os conflitos regionais são outro fator que prejudicou. Afinal, a República da Croácia é um dos países que compunham a ex-Iugoslávia, as outras repúblicas são Eslovênia, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Montenegro e Sérvia. Como achar um curta que fosse exatamente croata e que pudesse ser compreendido por nós, esse era o desafio. Encontrei um ideal, até com legendas traduzidas perfeitamente, pelo Youtube, para o português. A questão foi descobrir se realmente tratava-se de um curta croata, pois, isso não estava claro. Achei o endereço do correio eletrônico do diretor, escrevi em português e com o auxílio desastroso do Google Tradutor, passei a mensagem para o inglês (não quis correr o risco de passar pro croata com medo que, ao invés de uma mensagem cordial, virasse uma ofensa, visto a qualidade duvidosa de tradução do Google). Passado mais de dez dias, não recebi nenhuma resposta. Quem sabe perguntar se um filme é croata com alguma possibilidade dele, talvez, ser sérvio, bósnio ou esloveno, possa ser uma ofensa por lá. Espero que não, não era minha intenção.

SUTILEZA em curta croata. Foto Divulgação
Então, apresento pra vocês um dos poucos filmes que encontrei que, com toda certeza, é da Croácia. É breve, muito curto, no entanto, a beleza da fotografia compensa a escassa narrativa. Farewell foi nomeado melhor filme do Festival do Minuto Croata. Dirigido em conjunto por Mateo Klarić e Marko Grubišić, é protagonizado pela linda modelo Felicita Glavaš.

Farewell


Sinopse
A brevidade da vida e sua beleza.

Gênero Ficção
Diretor Mateo Klarić / Marko Grubišić
Elenco Felicita Glavaš
Ano 2014
Duração 1min
Cor Colorido
País Croácia

Grupo A - México curta-metragem

cortometraje curta short filmO México tem tradição no futebol, também no cinema. Embora ao longo da história os mexicanos tenham tido bons jogadores, é no cinema que eles colheram mais êxitos. A riqueza cultural mexicana se reflete nos excelentes filmes produzidos em seu território. Nos curtas-metragens não é diferente, é vasta a quantidade de filmes disponíveis na internet, ou talvez eu tenha facilidade pra encontrá-los por ser fluente no espanhol e por ser um apaixonado pela cultura mexicana. Pra esta seleção de curtas que preparei com os países que vão jogar na Copa do Mundo do Brasil, o México aparece com um dos grandes filmes que tentarei apresentar aqui nos próximos dias.

cortometraje short filme
A Idosa, a Vaca e a Solidão. Foto Divulgação
Careço de adjetivos pra descrever este curta, também corro o risco de entregar o jogo se me prologar sobre ele. É lindo, lindíssimo, um dos melhores que tenho visto nestes últimos anos. El corto em questão se chama La Leche y el Agua. Acho difícil dizer o que é melhor nele, a fotografia, o som, direção, roteiro, a atriz, tudo maravilhoso! Quero contar sobre ele e o complicado não é achar assunto sobre o mesmo, pois não faltariam argumentos pra isso, ele os dá pra quem vê, porém, temo estragar a surpresa de quem não viu. Mas vamos lá, tô aqui pra isso! La Leche y el Agua é sobre uma velhinha que vive numa região árida do México. Não bastasse a seca, que matou todo verde e deixou o entorno num tom sépia, a vida da idosa é de uma comovente solidão, que só não é pior por conta de sua vaca, que lhe dá alimento pro corpo e alma. A boa vaca é o que lhe resta, é companheira, família, sua motivação e na alvura do leite que ela fornece está, além da esperança, a paz das lembranças da senhora. Já a água, que tanta falta faz, que traz vida, também pode levá-la. Com roteiro e direção de Celso García, o curta faturou 27 prêmios internacionais e foi projetado em 44 festivais distintos. Emocione-se com este poema visual.
Yerko Herrera
La Leche y el Agua


Sinopse
Uma mulher tenta recuperar a sua única companheira na vida: Uma vaca.

Gênero Ficção
Diretor Celso García
Elenco Tara Parra, Ramón Durán, Julio Emiliano Garza
Ano 2006
Duração 12min
Cor Colorido
Bitola 35 mm
País México


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Grupo A - Camarões curta-metragem

Representando a República dos Camarões (République du Cameroun), o curta-metragem politicamente correto, Oser ou S'Exposer. Achar um curta pra representar o Camarões não foi uma tarefa fácil. Pois desconheço as fontes certas pra buscar filmes camaroneses, além do obstáculo imposto pela própria língua. Em qual dos idiomas oficiais devo procurar, francês ou inglês? Sendo que não domino nenhum deles! Superada essa barreira, achei pouca coisa. Parecem ser raros os curtas de origem camaronesa disponíveis na rede. Apesar de tudo, o curta (court métrage, em francês) Oser ou S'Exposer é um grande achado e possui qualidade pra representar bem o país africano do Grupo A da Copa do Mundo 2014.

court métrage short film Republic of Cameroon
Divulgação de Oser ou S´exposer
O filme dirigido por Djimeli Lekpa Gervais, é sobre um rapaz que leva uma moça pra seu apartamento com a intenção de transar com ela. A moça, muito consciente, alerta que não fará sexo sem camisinha. A partir daí, começa uma sucessão de acontecimentos que dão graça a Oser ou S'Exposer e conferem leveza a este tema tão necessário que é o uso de preservativos, seja como método contraceptivo, seja pra evitar a exposição a doenças como a Aids. Apesar do filme ser falado em francês — acredito que como eu, muitos aqui não entendem, não tem como não compreender a situação complicada do personagem vivido pelo ator Jacques Ekwa.


Oser ou S'Exposer


Sinopse
O calvário de Nicko começa quando ele não encontra um preservativo no dia em que sua namorada finalmente concorda em ir para o ato sexual.

Gênero Ficção
Diretor Djimeli Lekpa Gervais
Elenco Jacques Ekwa, Reine Bovindi, Alfred Désiré Biock, Fiona Nzeyep, Max Ojomo, Alex Nolla, Faliola Kaze
Ano 2007
Duração 10'30''
Cor Colorido
Bitola Vídeo PAL
País Camarões

sábado, 7 de junho de 2014

Ancine anuncia vencedores de coprodução com Argentina e Uruguai

Por Paulo Virgilio - Repórter da Agência Brasil   Edição: Nádia Franco

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) anunciou hoje (6) os projetos vencedores dos editais de coprodução com a Argentina e o Uruguai. Foram selecionados seis projetos cinematográficos, que receberão o equivalente a US$ 1,3 milhão em apoio à produção. As duas comissões binacionais de seleção foram integradas pela Ancine e pelos órgãos similares da Argentina, Instituto Nacional de Cine Y Artes Audiovisuales, e do Uruguai, Instituto del Cine y Audiovisual del Uruguay.

Na parceria com a Argentina, os vencedores com coprodução majoritária brasileira foram Jango – Como Matar um Presidente, de Roberto Farias, e O Fantasista, de Roberto Studart. Já entre os projetos de coprodução majoritária argentina foram selecionados La Patota (A Turma), de Santiago Mitre, e Zama, de Lucrecia Martel. Ao todo, foram 20 os projetos concorrentes ao prêmio de US$ 1 milhão.

No concurso com o Uruguai, cinco projetos disputaram o prêmio de US$ 300 mil. Os vencedores foram Faces da Alma, de Vinicius Coimbra, coprodução majoritária brasileira, e Menino Janela também Queria Ter um Submarino, de Alex Piperno, projeto majoritariamente uruguaio.

Para o diretor-presidente da Ancine, Manoel Rangel, os dois editais foram decisivos no aumento do intercâmbio entre produtores, artistas e profissionais, em geral, do cinema brasileiro com os colegas dos países vizinhos. Este foi o quarto ano consecutivo em que a Ancine organizou os concursos em parceria com as entidades da Argentina e do Uruguai. 

Fonte: Agência Brasil 
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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Documentário O Complexo de Vira-Latas

Imagem divulgação do doc O Complexo de Vira-latas
Inácio Araújo, crítico de cinema, em O Complexo de Vira-latas
Faltando pouco mais de uma semana para o início da Copa do Mundo no Brasil, o evento, que trará pra perto da grande nação do futebol a sua maior paixão, tem sido alvo de duras críticas por parte da sociedade brasileira. A expressão "imagina na Copa", popularizada alguns anos atrás, recentemente deu vez a "não vai ter Copa". Ambas negativas, compartilhadas por milhares nas redes sociais e que mais parecem um niilismo disfarçado de consciência sociopolítica. Seria uma histeria coletiva enxertada pela grande mídia, porta-voz permanente das forças conservadoras e dos interesses econômicos e políticos do País? Ou será que faz parte do que, na década de 1950, Nelson Rodrigues, numa crônica, constatou e batizou de "complexo de vira-latas? Em suas palavras: Por "complexo de vira-latas" entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo.

Na tentativa de entender a origem desse sentimento de inferioridade do brasileiro, o documentário O Complexo de Vira-Latas leva esta pergunta para intelectuais como o escritor Ruy Castro, os jornalistas Mino Carta e Luiz Zanin, entre outros. Costurado pela leitura da crônica de Nelson Rodrigues, o filme apresenta argumentos que estimulam a reflexão sobre o assunto e, tomara, estimule algumas pessoas a repensarem os preconceitos que vomitam diariamente sobre o nosso País.

O Complexo de Vira-Latas

Sinopse
O termo Complexo de Vira-Latas denomina um sentimento característico de determinadas classes da sociedade brasileira. Esse sentimento, marcado por derrotismo, pessimismo e má informação, está muito ligado à negação do que somos como brasileiros. O documentário O Complexo de Vira-Latas explica esse sentimento, discute o tema e faz um breve panorama social e político da realidade brasileira.

Gênero Documentário
Diretor Leandro Caproni
Entrevistados Ruy Castro, Luiz Zanin, Inácio Araújo, Gilberto Maringoni, Marcos Capellari, Luiz Antônio Gomes Lima, Mino Carta
Leitura da Crônica Wallace Soares
Ano 2013
Duração 23'47''
Cor Colorido
País Brasil

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Animação Indiana

Imagem divulgação de Feel the Punch
Nem só de Bollywood vive o cinema indiano. O OutroCine apresenta Feel the Punch, animação em 3D, realizado por um grupo de estudantes que mais prêmios recebeu na Índia em 2010. Entre tantas premiações, o filme ganhou o cobiçado TASI Viewer's Choice na categoria filmes estudantis na 6ª edição do AniFest Índia por uma vantajosa margem. Com muito bom humor, o curta-metragem mostra um rapaz galanteador que, na tentativa de impressionar lindas mulheres, passa por uma situação embaraçosa ao querer enrolar um mendigo. Este é o segundo curta indiano disponível no OutroCine, o anterior é o comovente Dancing Queen.

Feel the Punch


Sinopse
Um jogo de astúcia entre um pedinte e um homem esperando para embarcar no ônibus dá uma virada surpreendente quando o homem percebe que está enganado. Ele se dá conta que o bom e velho truque para ludibriar mendigos não é mais tão bom.

Gênero Animação
Diretor Kasi Medidi
Ano 2010
Duração 3'20''
Cor Colorido
País Índia

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Curta Paquistanês

Nesta última semana, o Paquistão foi muito citado devido ao episódio Osama x Obama, que culminou com a execução de Bin Laden, em operação acompanhada e coordenada pelo presidente dos EUA, em tempo real, da própria Casa Branca. Os noticiários apenas mostram o Paquistão como o refúgio onde o líder da Al-Qaeda foi executado, porém, pouco ou nada se fala sobre a riqueza cultural deste país asiático.

O VÉU. Olhar misterioso em frame de curta paquistanês
Em oito minutos, o curta-metragem paquistanês The Veil apresenta mais aspectos culturais da República Islâmica do Paquistão do que esta semana inteira de exposição midiática. Ao tomar um esbarrão, homem se sente atraído por uma mulher trajando um Hijab e um Niqab (ou a burca, como genericamente, por equivoco, chamamos as vestes islâmicas femininas). Num ato de curiosidade, este homem passa a segui-la. Pra onde ele será conduzido é o grande mistério de The Veil. Dirigido por Fahad Shaikh, o curta é falado em urdu, nada que dificulte a compreensão, pois, os poucos diálogos estão devidamente legendados em inglês.

The Veil


Sinopse
Um homem encontra a beleza na mais improvável das circunstâncias e segue o seu coração para se tornar uma vítima da maior decepção da vida.

Gênero Ficção
Diretor Fahad Shaikh
Elenco Aali Mirza, Khushboo
Ano 2006
Duração 8min
Cor Colorido
País Paquistão

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A Peregrinação

Barack Obama mandou matar Osama bin Laden. Essa é a notícia da semana e já está entre as maiores do ano. Não foram divulgadas imagens. Corpo lançado ao mar. Novamente, sem imagens. Alguns fatos são obscuros e deixa margem a muitas teorias. Oficialmente, o milionário saudita foi assassinado no Paquistão. Não sabemos nada sobre o caso, tampouco sabemos sobre curtas-metragens sauditas. Errado, ao menos ao que se refere a curtas. O OutroCine apresenta: Hajj... A journey of purity 2010. O filme é um registro de cinco dias em Meca durante a peregrinação sagrada feita por milhões de muçulmanos. São cenas lindíssimas, um mar de gente deslocando-se em nome de sua fé, observado de um ângulo onde a quantidade de pessoas impressiona. O interessante é que este curta foi gravado com uma câmera fotográfica de alta resolução (Canon 5D), formato que vem sendo utilizado em diversas produções por ser uma solução que traz um resultado de altíssima qualidade, com a vantagem de ser economicamente mais viável.

A Hajj.. A journey of purity 2010


Sinopse
A peregrinação a Meca num registro de cinco dias.

Gênero Documentário
Diretor Almuhannad Alkadam
Ano 2010
Duração 3'25''
Cor Colorido
Bitola Full HD
País Arábia Saudita